Banco da Flórida anuncia acordo para intercâmbio de operações com Cuba

Dois dias depois da reabertura da Embaixada de Cuba em Washington, o Banco Stonegate, com sede no sul da Flórida, anunciou ontem um acordo de correspondência com o Banco Internacional de Comércio de Cuba. Na prática, a medida facilita as transações financeiras entre os dois países. O banco da Flórida é o mesmo utilizado pelo governo cubano para o pagamento das despesas de sua missão diplomática nos EUA.

MIAMI, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2015 | 02h03

"Esse é mais um passo na normalização das relações comerciais entre os Estados Unidos e Cuba", disse o diretor-executivo do Stonegate, David Seleski, em comunicado. "A habilidade para transferir dinheiro entre os dois países vai aumentar o comércio e beneficiar empresas americanas dispostas a fazer negócios em Cuba."

Em dezembro, quando anunciou a retomada de relações com Cuba, o presidente americano, Barack Obama, relaxou parte das restrições financeiras contra o país. Agora, empresas financeiras e de telecomunicações podem operar na ilha. Entre as permissões concedidas pelo decreto executivo de Obama está a de acordos de correspondências entre bancos dos dois países, além de transações de cartões de débito e crédito em Cuba.

Entidades que estimulam o comércio entre os dois países elogiaram a medida. "É muito importante, pois esse acordo precisa ser autorizado por autarquias do Departamento do Tesouro como o Escritório de Controle de Bens no Exterior (Ofac) e a Corporação de Depósito e Seguros Federal (FDIC)", disse o presidente do Conselho de Comércio Cubano-americano, Jogn Kavulich. "Com isso, o governo reconhece que a governança financeira de Cuba é confiável e pode ser benéfica para os Estados Unidos", acrescentou.

Com o acordo, o Stonegate torna-se o primeiro banco americano a operar em Cuba em 54 anos. O BICSA, criado para intermediar as relações financeiras de Cuba com o restante do mundo, é auditado regularmente pela consultoria americana Ernst & Young

Otimismo. O governo americano, por seu lado, mantém um prognóstico positivo para o avanço na cooperação com Cuba. Thomas Shannon, assessor do secretário de Estado, John Kerry, para América Latina, disse ontem que há espaço para a construção de uma agenda comum entre os dois países.

"O diálogo com Cuba e outros países está aberto e isso facilita a colaboração em áreas como meio ambiente, questões humanitárias e combate ao narcotráfico", disse Shannon em um debate promovido pela agência EFE em Madri. "Temos como trabalhar por essa agenda e pelo bem-estar das populações desses países."

Shannon, no entanto, reconheceu que mudanças mais profundas, como o fim do embargo a Cuba e a imigração de cubanos para os Estados Unidos, não dependem da Casa Branca. "Isso vai depender da atitude que o Congresso tomará sobre o tema", acrescentou o secretário, que negocia também uma retomada das relações dos EUA com a Venezuela. / EFE e REUTERS

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