Banco diz que megatroca afasta moratória

"A megatroca de bônus de curto prazo por outros de longo prazo afastará o perigo de default (moratória) da Argentina". Esta foi a declaração do presidente do Crédit Suisse First Boston, David Mulford, que também afirmou que esta operação "é a melhor oportunidade que o país tem para crescer".No entanto, o banqueiro americano sustentou que além da megatroca, o governo precisará adotar medidas "mais sólidas, como a disciplina fiscal". Mulford afirmou que "não dá para fazer esta megatroca e descansar. É preciso fazer mais". O banco que Mulford dirige é um dos integrantes do grupo de sete bancos que preparam a megatroca de bônus com o governo. Além disso, Mulford é velho amigo do ministro da Economia, Domingo Cavallo. Presente em Buenos Aires durante o anúncio da assinatura, por parte do presidente Fernando De la Rúa, do decreto que autorizou a operação de troca de bônus, Mulford disse que o valor da megatroca seria de US$ 15 bilhões."Talvez seja mais. Mas com US$ 15 bilhões já seria o maior acordo da História", explicou. Segundo ele, as megatrocas anteriores foram do Brasil, no valor de US$ 2,1 bilhões, e do México, de US$ 3,3 bilhões. No entanto, o valor da megatroca de bônus argentinos é inferior ao que vinha sendo especulado pelos mercados nas últimas semanas, ao redor de US$ 20 bilhões. Segundo Mulford, "esta não é uma restruturação da dívida. Trata-se de uma operação projetada pelos grandes protagonistas do mercado e proposta ao governo". O banqueiro considera que a megatroca mostrará "aos mercados e também ao FMI e ao Tesouro dos EUA que a Argentina não precisa deles. Com esta operação, sem default, a confiança retornará".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.