Banco Mundial pede a Norte da África para focar doações a pobres

Países em desenvolvimento, incluindo as nações do Norte da África depois da revolução, Tunísia e Egito, deveriam limitar doações apenas para os mais pobres e cuidar dos gargalos do mercado para evitar inflação, disse o chefe do Banco Mundial na quarta-feira.

WOJCIECH MOSKWA E ALISTER DOYLE, REUTERS

08 de junho de 2011 | 19h09

Robert Zoellick disse que as autoridades deveriam resistir à tentação de aumentar salários ou doações, mesmo com alta no preço dos alimentos e com a incerteza da economia depois dos protestos que retiraram líderes autoritários em Túnis e no Cairo neste ano.

"A maneira para lidar com esses desafios está em focar nos mais vulneráveis com programas de proteção aos pobres e tentar fazer o mercado trabalhar melhor. É o oposto que alguns acreditam, eles querem parar ou controlar ... os mercados", disse Zoellick a repórteres em Oslo.

Ele afirmou que a Tunísia e o Egito deveriam considerar esquemas de bem-estar social condicionais que funcionaram bem no Brasil e no México. Nos dois casos, subsídios foram oferecidos aos mais pobres se eles mantivessem os seus filhos na escola ou tivesse check-ups de saúde regulares.

"Estamos conversando com a Tunísia e com o Egito, eles precisam de políticas de inclusão social. A primeira resposta do Egito, como aconteceu no passado, foi aumentar o salário de todos e aumentar a base dos subsidiados", disse Zoellick. "Esta é uma estratégia extremamente cara. Estamos tentando compartilhar a experiência (brasileira), mas vai levar tempo."

Zoellick disse também que os mercados emergentes precisam trabalhar para eliminar os gargalos na oferta que atrapalham os seus mercados e que, na maioria das vezes, levam a uma inflação cada vez maior. Assim como tomar medidas para atacar a corrupção e melhorar a transparência da vida econômica.

Ele acrescentou que a discussão anual sobre o clima na ONU marcada para o fim de 2011 em Durban, na África do Sul, poderia ajudar a África ao promover o armazenamento de carbono no solo, tanto para reduzir o ritmo do aquecimento global quanto para enriquecer o solo para agricultura.

"No momento em que tentamos aumentar a produção agrícola, há uma situação ganha-ganha com carbono no solo para produtividade agrícola", ele disse.

Zoellick acrescentou que os esforços para combater a mudança climática devem mostrar os benefícios às pessoas -- por exemplo, mais eficiência de energia, ar mais limpo e conservação das florestas.

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