EFE
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Banda cambial estreia com valor próximo do  paralelo na Venezuela

Simadi fecha cotado a 170 bolívares por dólar; governo tenta enfraquecer mercado negro e desvalorizar parcialmente sua moeda

O Estado de S. Paulo

12 de fevereiro de 2015 | 20h46


CARACAS - A terceira banda cambial adotada pelo governo venezuelano, o Simadi, fechou ontem cotada a 170 bolívares por dólar. O valor é próximo do pago no mercado paralelo venezuelano, que antes da estreia do novo câmbio vendia a moeda americana a 175 bolívares. Na prática, a medida tem como objetivo eliminar o dólar paralelo do mercado venezuelano e ao mesmo tempo promover uma desvalorização parcial do bolívar.

Em meio a uma grave crise econômica, o governo da Venezuela optou por reformar seu complicado sistema cambial. Agora, o país tem três tipos de câmbio. O oficial, a 6,30 bolívares por dólar, é usado em contratos do governo e na importação de alimentos e remédios e corresponde a 70% dos dólares do país. 

O segundo tipo, usado para ofertar dólares à iniciativa privada, consiste no leilão da moeda americana a uma taxa inicial de 12 bolívares, que pode variar conforme a decisão do governo. O Simadi atende ao público geral, em casas de câmbio e instituições bancárias. Cada pessoa tem direito a comprar US$ 300 por dia. Não há limites para a venda da moeda americana e seu preço flutua conforme oferta e demanda. 

A crise econômica venezuelana tem origem no desequilíbrio fiscal provocado pela forte expansão de gastos públicos no fim do mandato do presidente Hugo Chávez, em 2012. Quando Nicolás Maduro assumiu o governo, no ano seguinte, o país estava com as reservas em baixa e o chavismo passou a controlar cada vez mais a venda de dólares para o setor privado. 

Como efeito colateral, o preço da moeda americana no mercado paralelo subiu desenfreadamente, de 9 bolívares em 2012, para 175 nas últimas semanas. Sem acesso aos dólares, os produtos importados passaram a ficar mais escassos e caros, o que teve também um efeito na inflação, hoje a maior do continente. Com a queda no preço do petróleo, no segundo semestre do ano passado, a situação piorou, uma vez que a entrada de dólares nos caixas do governo caiu pela metade junto com o preço do barril. 

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