BANDEIRA CONFEDERADA RECEBE CRÍTICAS

Símbolo do passado escravocrata da Carolina do Sul, a bandeira dos confederados que se levantaram contra o norte e a abolição na Guerra Civil americana está hasteada em frente ao prédio da Assembleia Legislativa em Columbia, capital do Estado. Mas ela pode vir abaixo com a propaganda negativa criada por sua associação com o adepto da supremacia branca que matou a tiros nove pessoas negras em uma igreja de Charleston.

CHARLESTON, EUA , O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2015 | 02h04

A bandeira é vista como uma agressão pela comunidade afro-americana, que há décadas defende sua retirada de uma área pública. Em 1963, o símbolo dos confederados foi colocado na cúpula do edifício da Assembleia Legislativa, ao lado da bandeira americana, em um gesto de desafio ao crescente movimento pelos direitos civis que pedia o fim da segregação entre brancos e negros no Sul.

No dia 1º de julho de 2000, ela foi finalmente retirada da cúpula, mas não da área do Poder Legislativo. Desde então, ela fica em um mastro no gramado em frente ao edifício. Na quinta-feira, a confederada era a única das três bandeiras do local que não havia sido baixada a meio palmo em homenagem às vítimas do massacre.

"A bandeira é um símbolo de ódio", disse ao Estado Rodney Williams, negro e vereador de Charleston. Na sua origem, ela era vinculada a ideais de supremacia branca usados para justificar a manutenção da escravidão. Dylann Roof, autor confesso do massacre de quarta-feira, aparece em uma foto de seu Facebook diante de um carro com uma placa que tem a bandeira confederada.

A Carolina do Sul foi o primeiro Estado a se separar da União em reação à provável vitória de Abraham Lincoln nas eleições de 1860. No ano seguinte, os primeiros tiros que deram origem à Guerra Civil foram disparados em Charleston contra o Forte Sumter, controlado pelo Exército federal.

A cidade foi o principal porto de entrada de escravos nos Estados Unidos, recebendo cerca de 40% dos estimados 400 mil que chegaram ao país até 1808. Naquele ano, o comércio internacional de negros vindos da África foi suspenso, mas Charleston continuou a ser um importante local de leilões domésticos de escravos. Com uma economia rural dependente da mão de obra não remunerada, o Estado se opunha a qualquer tentativa de abolição e adotava regras draconianas para tentar evitar rebeliões da maioria afro-americana -em 1750, os negros eram 68% dos moradores da Carolina do Sul.

O massacre em uma histórica igreja negra provocou uma onda de manifestações em favor da retirada da bandeira confederada do Legislativo. Uma petição online em defesa de sua remoção havia recebido quase 300 mil adesões até ontem. "Símbolos de ódio e divisão não têm lugar em nosso governo. É hora de fazer o que é certo e remover a bandeira confederada!", diz o texto.

No twitter, a hashtag #takeitdown foi usada por milhares de pessoas que se manifestaram pela retirada. "A tragédia que aconteceu pode criar coisas positivas", disse M. Carr, uma mulher negra de 86 anos que foi professora de escolas segregadas. "Eles podem finalmente tirar a bandeira, que representa opressão dos negros." C.T.

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