Bando faz ataque em Santa Cruz

Casa de deputado constituinte do MAS é incendiada

AFP, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2007 | 00h00

Um bando de jovens incendiou na madrugada de ontem a casa de um deputado constituinte boliviano ligado ao presidente Evo Morales em Santa Cruz de La Sierra, cidade que concentra as principais lideranças da oposição ao governo de La Paz. O ataque ocorreu horas depois de Evo pronunciar um duro discurso no departamento (Estado)andino de Potosí, no qual denunciou uma conspiração da oposição para derrubá-lo. O atentado à residência do deputado Carlos Romero, do partido governista Movimento ao Socialismo(MAS)e um dos principais articuladores políticos de Evo, não deixou feridos. Nem o deputado nem seus familiares se encontravam no local. Os jovens atiraram uma bomba caseira, que deu início a um incêndio, rapidamente controlado. "Foi uma atitude covarde e criminosa de grupos que se escondem em comitês civis e que falam em nome de Santa Cruz, mas estão amarrados a uma série de negócios dos quais gozam de privilégios", acusou Romero. Segundo o deputado, os jovens chegaram em caminhonetes, radiotáxis e carros com vidros escuros. "O objetivo é amedrontar quem pensa de forma diferente dos líderes civis de Santa Cruz", prosseguiu. Romero denunciou a existência de uma "lista negra" em Santa Cruz, com ameaças à vida de políticos e empresários que apóiam o governo Evo, qualificados de "traidores". Durante o ataque à casa de Romero, os jovens pintaram a palavra "traidor" no muro.O vice-presidente del Comitê Cívico de Santa Cruz, Luis Núñez, negou acusação de que o bando que atacou a residência do deputado do MAS faça parte do grupo radical Juventude Crucenha, que defende a autonomia do departamento (Estado) em relação ao governo central. Em entrevista à rede Erbol, Núñez exigiu que Romero apresente provas à polícia para sustentar sua denúncia.Na véspera, o presidente boliviano havia advertido que "a próxima revolução, a exemplo do que aconteceu em El Alto, se dará em Santa Cruz" - referindo-se aos distúrbios de 2003 contra o governo que deixou 60 mortos e a renúncia do então presidente conservador Gonzalo Sánchez de Lozada. Em discurso para uma platéia de mineiros da cidade de Llallagua, Evo acusou os líderes civis de Santa Cruz e de outros cinco departamentos que exigem autonomia de impedir que o seu governo trabalhe pelo desenvolvimento do país . "A direita, os conservadores, os serventes do imperialismo americano estão batendo na porta das Forças Armadas", acusou Evo. "Enquanto for presidente constitucional, se tentarem me derrubar, terão de me tirar morto do Palácio de Governo", advertiu. AFP

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