Bando invade hotel de luxo e anuncia golpe

Terceiro motim contra presidente filipina é controlado em 2 horas

Reuters, Manila, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2007 | 00h00

Cerca de 30 políticos, militares dissidentes e até padres protagonizaram ontem uma bizarra tentativa de golpe - a terceira em seis anos - contra a presidente das Filipinas, Gloria Arroyo. Fortemente armados, eles invadiram um hotel cinco-estrelas no centro da capital Manila, e exigiram a renúncia de Arroyo. Duas horas após a ocupação, tropas leais ao governo entraram no Península Hotel e prenderam sem resistência os golpistas e dezenas de jornalistas que acompanhavam o motim. Ao todo, 101 pessoas foram detidas. Foi decretado toque de recolher noturno na capital e arredores. A aventura teve início quando o grupo deixou o tribunal onde estava sendo julgado por uma tentativa de golpe anterior, de 2003, e se entrincheirou no hotel. Um dos líderes dos amotinados, o general Danilo Limele, fez um discurso, que foi televisionado, pedindo a renúncia de Arroyo e apoio do Exército. Arroyo foi acusada de corrupção e de ter manipulado as eleições de 2004. Ela substituiu o presidente (e ex-ator) Joseph Estrada, deposto após processo de impeachment, em 2001, sob acusação de desvio de fundos públicos. Estrada chegou a ser condenado a 7 anos de prisão, mas recebeu indulto de Arroyo - o que irritou muitos militares.O Exército é uma das poucas instituições que conseguiu se manter longe da corrupção generalizada nas Filipinas. Além das tentativas de golpe, Arroyo já sobreviveu a um processo de impeachment. O apelo dos golpistas não foi atendido. Após cercar o hotel, tropas leais ao governo exigiram a rendição dos amotinados em duas horas. Vencido o prazo, os soldados usaram bombas de gás lacrimogêneo, dispararam para o alto e chegaram a ocupar o saguão do hotel com veículos blindados. Duas pessoas ficaram feridas durante a ação."Estou aqui para cumprir meu dever. Mas todos nós já vimos o que Arroyo é capaz de fazer para se manter no poder. Então, para não pôr em risco a vida das pessoas, estamos nos rendendo", disse o líder do grupo, o senador Antonio Trillanes.Os golpistas - o grupo incluía, além de políticos e militares, jornalistas, padres e até um bispo - foram algemados e escoltados para fora do hotel. A maioria dos hóspedes fugiu antes da ação do Exército, mas dezenas de pessoas ficaram presas no fogo cruzado. Um casal de noivos e seus convidados deixaram o hotel pelos fundos. Ignorando os tiros, eles continuaram a festa num hotel ao lado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.