Bani Walid está sob controle da família do ditador

Segundo rebeldes mais de mil homens 'muito bem treinados e armados' estão na cidade

Lourival Sant?Anna, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2011 | 00h00

BANI WALID - O coronel opositor Salah al-Hamri fez ontem uma missão de reconhecimento em Bani Walid com seus homens e se convenceu de que as tropas que controlam a cidade são da brigada de Seif al-Islam, o mais poderoso filho de Muamar Kadafi.

 

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"São mais de mil soldados, muito bem treinados e armados, e vão lutar até a morte", disse ao Estado o coronel do Exército sob o comando do Conselho Nacional de Transição (CNT).

Os aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) voltaram a disparar cinco mísseis ontem contra o quartel de Bani Walid, situada 150 km a sudeste de Trípoli. "Há muitas armas e munição lá", disse o coronel. As kataeb, como são chamadas as brigadas de elite de Kadafi, dispararam quatro morteiros contra as posições do CNT.

"Não queremos usar Grads para não atingir civis", justificou Al-Hamri, referindo-se aos temidos e imprecisos foguetes de desenho russo. Segundo os combatentes, as forças pró-Kadafi colocaram baterias de Grads nos tetos de casas de moradores, para evitar serem alvejados tanto por eles quanto pela Otan.

Os combatentes disseram que controlam o bairro de Khauasan, na entrada da cidade.

Diante de todas as dificuldades, combatentes do CNT estavam ontem negociando diretamente com as kataeb, disse a reportagem Abdullah Kenshil, do comando revolucionário. Kenshil não quis dar detalhes das negociações. Elas podem envolver a captura de Seif al-Islam, que estaria na cidade.

Há tensões entre os combatentes de Bani Walid e as brigadas de outras cidades. Os que são originários de lá hesitam em avançar e expor parentes a uma batalha sangrenta. Os de outras brigadas estão impacientes para tomar essa e as outras três cidades ainda sob controle das forças pró-Kadafi - Sirte, Sabha e Jafra.

"Não vemos problema em avançar sobre Bani Walid, desde que os revolucionários não entrem nas casas em que nós dissermos que só há civis desarmados", explicou o combatente Mohamed Dala, de 24 anos, inspetor de voo no aeroporto de Trípoli, nascido em Bani Walid. "Os moradores de Khauasan nos receberam muito bem, nos deram comida, café e água. Estão felizes de terem sido liberados."

Os 100 mil habitantes de Bani Walid são da tribo Warfallah, a maior da Líbia, com 1 milhão de integrantes, que apoiava Kadafi. Dala disse que há 2 mil combatentes de Bani Walid - mil na cidade e mil participando do cerco. Segundo ele, quando as forças do CNT fizerem o avanço final, os que estão na cidade vão entrar em ação.

As forças do CNT ainda teriam cercado Sirte, cidade natal de Kadafi, 450 km a leste de Trípoli.

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