Stephanie Diani/The New York Times
Stephanie Diani/The New York Times

‘Bannon é quem mais sabe sobre Trump’

Autor de livro sobre Trump lança uma continuação com base em velhas fontes e relatos de Steve Bannon 

Entrevista com

Michael Wolff

Michael M. Grynbaum / The New York Times , O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2019 | 05h00

Autor de Fire and Fury: Inside the Trump White House (“Fogo e Fúria: na Casa Branca de Trump”), sobre o início do mandato de Donald Trump, Michael Wolff ressurgiu esta semana com uma continuação – Siege: Trump Under Fire (“Cerco: Trump sob Fogo”). Seu primeiro livro, que retratou um presidente com tensas relações com a verdade, levantou também questões sobre a adesão do próprio Wolff aos fatos. Em entrevista em sua casa em Manhattan, Wolff, de 65 anos, defendeu sua confiança em Steve Bannon como fonte e explicou por que não leva muito em conta a checagem dos fatos. 

Como o sr. conseguiu fontes? Após ‘Fire and Fury’ o sr. não se tornou persona non grata na Casa Branca?

Todos continuam falando comigo. Quando Fire and Fury saiu, achei que Steve Bannon nunca mais falaria comigo, mas na verdade ele jamais parou de conversar. Mas outro ponto – que considero chave – é que sou um cara de Nova York. Trump também é. Temos muitos conhecidos em comum. E essas pessoas falam entre elas de Trump. Tenho sorte de pertencer a esse meio.

Quando escreveu ‘Fire and Fury’, o sr. teve acesso físico à Casa Branca. Teve desta vez?

Não estive na Casa Branca para escrever o novo livro. Mas muitas pessoas que falaram comigo para o primeiro livro continuaram a falar para o segundo. Acho que o quadro que descrevi no primeiro livro funcionou para elas.

O sr. tentou entrevistar o presidente? 

Não.

Por que não? 

Da última vez, ele tentou barrar a publicação. Seria um erro tentar ouvi-lo agora. Mas a ira de Trump bombou a venda do primeiro livro.

Foi o que se viu. Mas não gostaria de passar por isso de novo. 

O sr. ficou preocupado? 

Sim! Se o presidente dos EUA está contra você, é para se preocupar. 

O sr. diz que ‘Siege’ “é mais sobre um estado emocional do que sobre um estado político” da presidência. 

Já disse muitas vezes que não sou um repórter político de Washington. Esses repórteres fazem um grande trabalho, mas em minha abordagem o mais importante, além da política, são as palhaçadas, a psicopatologia, a crueldade aleatória ou dirigida. Para mim, esse governo pede um tipo diferente de escritor.

O sr. tem um ponto de vista em ‘Siege’? 

O ponto de vista é que esse é um tipo totalmente diferente de presidente e de governo. Além disso, você tem uma figura estranhamente isolada, que é Trump. Não existe um governo funcionando aqui. Há um entendimento histórico de que a presidência muda o ocupante do cargo. Penso que aqui o reverso também seja verdadeiro – a Casa Branca transformou-se nas Organizações Trump. 

Bannon não trabalha mais na Casa Branca e está fora do círculo de Trump. Até onde devemos confiar no que ele diz?

É preciso considerar o conhecimento de Bannon sobre o governo e o presidente. Entre as centenas de pessoas com as quais conversei, ele é o que está mais por dentro sobre aquilo que faz Donald Trump ser o que é. 

Críticos de ‘Fire and Fury’ dizem que o sr. trata os fatos de modo superficial. O que o sr. responde a essas pessoas? 

Creio que avaliações apenas confirmaram o que está em Fire and Fury. Com frequência, meses ou anos depois.

O sr. espera muitas críticas de outros jornalistas por ‘Siege’?

Sim.

Tenho de pressioná-lo mais sobre checagem de fatos...

Há uma distinção entre jornalistas institucionais e os que não o são. Eu não sou. Você faz perguntas para se proteger e proteger a instituição que representa. Mas estou falando de quando você já sabe a resposta. Então, você fica numa posição de, potencialmente, ter de negociar o que sabe. De uma maneira curiosa, o jornalismo é, em grande parte, algo sobre uma verdade negociada. Como escritor de livro, eu não preciso fazer isso. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

 

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