Barak critica demolição de casas palestinas

Ministro da Defesa de Israel reclama, nos EUA, do 'momento' inoportuno da decisão de expandir construções judaicas em Jerusalém Oriental

, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2010 | 00h00

WASHINGTON

Em visita aos EUA, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, criticou ontem a decisão de seu próprio governo de anunciar, na segunda-feira, a demolição de 22 casas palestinas em Jerusalém Oriental. Segundo Barak, o "momento" da decisão é inoportuno e prejudica os esforços para retomar o diálogo com a Autoridade Palestina (AP).

A demolição na região árabe de Silwan abriria espaço para a reabertura do sítio arqueológico conhecido como "Jardim do Rei" ? local que, segundo a Bíblia, era frequentado pelos reis Davi e Salomão. O plano, porém, irritou os EUA, que se opõem à ampliação da presença israelense em Jerusalém Oriental, que os palestinos desejam como capital de um futuro Estado.

"O projeto do Jardim do Rei já esperou por 3 mil anos. Acho que poderia ter esperado mais 3 ou 9 meses em razão das necessidades políticas do governo", disse Barak, segundo fontes ouvidas pelo jornal britânico The Guardian. O ministro israelense encontrou-se ontem com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e com outras autoridades americanas.

Militar mais condecorado da história de Israel, o atual chefe da Defesa é a única voz da centro-esquerda no governo de Binyamin "Bibi" Netanyahu. Barak, que ocupou o cargo de premiê entre 1999 e 2001, é líder do Partido Trabalhista.

Tecnicamente, a decisão de demolir as casas palestinas foi tomada pela Prefeitura de Jerusalém. Mas Netanyahu já havia persuadido, em março, o prefeito Nir Barakat a adiar o polêmico projeto, afirmando que a expansão israelense prejudicava a relação com os EUA.

Barak teria afirmado que "não é a primeira vez" que autoridades municipais de Jerusalém demonstram "falta de senso comum". / THE GUARDIAN

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