Barak lança desesperada ofensiva eleitoral contra Sharon

O primeiro-ministro de Israel,Ehud Barak, partiu nas últimas horas para uma ofensiva nos meiosde comunicação contra seu rival, Ariel Sharon, mas as maisrecentes pesquisas indicam uma vitória convincente do políticodireitista, que prometeu não ceder mais território aospalestinos. Ao mesmo tempo, falando de Moscou com Barak neste sábadopor telefone, o presidente Vladimir Putin ofereceu ao chefe degoverno de Israel ajuda da Rússia para as negociações de paz comos palestinos. O primeiro-ministro israelense tenta convencer oeleitorado de que a disputa não é entre a continuidade doconflito no Oriente Médio e a possibilidade de prosseguir com oprocesso de paz. "O verdadeiro orgulho nacional é a habilidadede tomar decisões, de ter a força de romper esta quase cancerosarelação (de violência) com os palestinos e alcançar umaseparação. Se possível, com um acordo; se não, sem acordo",afirmou à TV israelense. Em outra entrevista, para a CNN, Barak advertiusexta-feira que Sharon pode criar "um governo extremista queconduzirá Israel ao isolamento total, declínio econômico e maisviolência". "Como líder político, ele é quase pessoalmente afigura dominante em todos os erros que cometemos na últimageração", disse, listando a invasão do Líbano, a ampliação dascolônias judaicas nos territórios ocupados e sua visita àEsplanada das Mesquitas, em 28 de setembro, marco desta novaintifada. O levante palestino afetou o setor do turismo, que temforte peso na economia, e tem levado muitas empresas a adiarinvestimentos. No ano passado, o PIB cresceu 5,9%, impulsionadoprincipalmente pela expansão do segmento de alta tecnologia.Analistas financeiros prevêem para este ano crescimento de 3,5%,como reflexo da queda dos valores no mercado mundial de ativos etambém da intifada. Sharon vem procurando falar o menos possível, seguindoorientação de seus assessores. O objetivo é evitar que suaspolêmicas declarações sobre o conflito com os palestinos, osassentamentos judaicos e a religião muçulmana não o façam perdereleitores que passaram, titubeantes, para o seu lado. A vantagem de Sharon numa pesquisa eleitoral publicadaontem (02) indicou que 56% dos eleitores que pretendiam votarpreferem Sharon e 35% apóiam Barak. Outras sondagens tambémseguem o mesmo padrão: 51% para Sharon e 34% para Barak, ou 50%para Sharon e 30% para Barak, com as margens de erro sempreoscilando entre 2,8% e 4%. Na conversa telefônica que manteve hoje com Barak, opresidente russo Vladimir Putin deixou clara a disposição daRússia de mediar o conflito palestino-israelense. "O presidente da Rússia confirmou estar disposto a dartoda a assistência possível para solucionar a atual crise epromover a continuidade do processo de paz", anunciou em Moscouo serviço de imprensa da presidência. "O presidente Putin ressaltou que na Rússia odesenrolar dos acontecimentos em Israel provoca um sincerointeresse", disse um comunicado do Kremlin, acrescentando que ainiciativa do telefonema partiu de Israel. A Rússia é co-patrocinadora do processo de paz noOriente médio ao lado dos EUA, mas tem desempenhado um papelrelativamente menor nas negociações, sem grandes resultados. Em novembro, Putin recebeu o líder palestino YasserArafat e o convenceu a falar por telefone com Barak, mas aconversa não resultou na retomada do processo de paz.

Agencia Estado,

03 de fevereiro de 2001 | 14h27

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