Cláudia Trevisan/Estadão
Cláudia Trevisan/Estadão

Barbeiro consegue abrir o próprio salão em Havana após vender sua moto

Dorian Carbonell Fernandez diz que homens são mais ousados que mulheres cubanas do ponto de vista estilístico

Cláudia Trevisan, enviada especial / Havana, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2016 | 05h00

HAVANA - Todas as noites, jovens vão ao salão de Dorian Carbonell Fernandez arrumar o cabelo antes de saírem para os bares e clubes de Havana. Quase todos homens, eles pagam 5 CUC (R$ 21,5) para lavar, cortar e fazer penteados com topetes estruturados, em um estilo que o barbeiro chama de vintage. Também tiram a sombrancelha, mas Fernandez tenta convencê-los a não exagerar, para que fique uma aparência mais natural, "semelhante à dos italianos".

A trilha sonora no Donde Dorian é lounge e os clientes podem tomar coquetéis ou cervejas no bar que fica na entrada. Ao fundo, há duas salas, onde trabalham cinco estilistas. Depois de trabalhar em barbearias do Estado, Dorian decidiu há cinco anos ter um negócio próprio. O investimento inicial veio de uma moto que havia comprado quando tinha 20 anos - hoje está com 32. "As motos são caríssimas em Cuba."

No início, ele tinha apenas uma sala e trabalhava sozinho. Com o sucesso de seus penteados, Dorian poupou para ampliar o salão. "Eu fiz uma clientela jovem, que buscava algo diferente", disse o barbeiro, para quem os homens cubanos são mais ousados que as mulheres do ponto de vista estilístico. Nas ruas de Havana, são comuns imagens de jovens com correntes e pulseiras douradas, brincos, tatuagens e topetes.

Alguns de seus clientes são artistas de bandas cubanas - da salsa ao reggaeton. Segundo Dorian, eles se arriscam mais e permitem a criação de estilos singulares. A nova onda em seu salão são as tinturas. "Queremos quebrar o estereótipo de que homens não pintam os cabelos." O movimento no Donde Dorian se intensifica entre 20h e 23h, quando os jovens chegam já vestidos para a noite, em busca de um que os distinga dos demais. 

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