Enric Fontcuberta / EFE
Enric Fontcuberta / EFE

Barcelona vive dia de protestos e greve após condenação de líderes separatistas

Centenas de voos com chegada ou saída da Catalunha foram cancelados e clássico entre Barça e Real Madrid foi adiado em razão dos distúrbios; Justiça belga concede a Carles Puigdemont liberdade condicional

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2019 | 07h20
Atualizado 18 de outubro de 2019 | 07h47

BARCELONA, ESPANHA - A cidade de Barcelona vive nesta sexta-feira, 18, a quinta rodada de protestos após a condenação de líderes separatistas da Catalunha a penas de prisão que vão de 9 a 13 anos.

A cidade voltou a registrar confrontos com a polícia na noite de quinta-feira, quando um grupo de manifestantes de ultradireita e anti-separatistas tentou invadir um protesto separatista. As autoridades de saúde da Catalunha informaram que 18 pessoas ficaram feridas e a polícia local deteve 11 cidadãos.

Ao menos 55 voos com chegada ou saída da Catalunha foram cancelados em razão de uma greve geral convocada por sindicatos pró-independência, segundo as autoridades espanholas.

Os protestos bloquearam a fronteira terrestre entre Espanha França nos dois sentidos. Os manifestantes interditaram a rodovia AP7 na altura de La Jonquera, perto de Girona, e a estrada nacional NII perto da fronteira, informou o Ministério dos Transportes.

Para esta sexta são esperadas cinco marchas às quais devem comparecer milhares de pessoas que saíram dos povoados no interior há alguns dias rumo ao centro de Barcelona, além de uma grande manifestação prevista para o fim do dia.

Barça x Real Madrid adiado

O clássico Barcelona x Real Madrid, pela 10.ª rodada do Campeonato Espanhol, programado para o dia 26 de outubro na capital catalã, foi adiado para uma data que ainda será definida pelos clubes em consequência da tensão na região.

O comitê de competição, órgão disciplinar da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), concordou com o "adiamento do jogo previsto para o dia 26 de outubro de 2019 devido a causas excepcionais", afirma a decisão anunciada nesta manhã.

Puigdemont em liberdade condicional

A Justiça da Bélgica decidiu nesta sexta deixar em liberdade condicional o líder independentista catalão Carles Puigdemont, enquanto examina a ordem de extradição emitida pela Espanha contra ele, anunciou seu gabinete em um comunicado.

O juiz belga "concordou em deixá-lo em liberdade (...) sem fiança e apenas com a obrigação de comunicar seu domicílio, viagens e atividades", afirma a nota do gabinete de Puigdemont.

Ele seguiu para a Bélgica em 2017 após a tentativa de secessão da Catalunha da Espanha.

Líder regional sugere nova votação sobre independência

O líder regional da Catalunha, Quim Torra, sugeriu na quinta-feira uma nova votação sobre a independência da região espanhola durante seu mandato em resposta à condenação de seus ex-líderes pela tentativa de secessão de 2017. 

"Defenderei que essa legislatura (que expira no início de 2022) seja concluída com o exercício novamente do direito à autodeterminação", disse ao Parlamento regional. "Todos conhecemos as dificuldades impostas pela repressão e pelo medo. Mas devemos seguir em frente e não ser intimidados por ameaças e proibições", acrescentou. 

Até a meia-noite de quarta-feira, com vários carros em chamas em Barcelona e coquetéis molotov lançados contra a polícia, Torra ainda não havia condenado os atos. Em sua participação parlamentar, pediu apenas para "isolar e separar" os provocadores e agitadores dos manifestantes separatistas, e que sejam investigadas as ações da polícia subordinada a seu próprio governo por supostos excessos. 

Pedro Sánchez em silêncio

O chefe do governo espanhol de esquerda, Pedro Sánchez, que durante a quarta-feira se reuniu com lideranças dos principais partidos políticos, não anunciou qualquer medida extraordinária em relação aos distúrbios, como foi reivindicado pela oposição de direita, em plena campanha para as eleições legislativas de 10 de novembro.

Entre as medidas solicitadas está a aplicação da Lei de Segurança Nacional, que colocaria nas mãos do Estado as competências quanto à segurança da Catalunha e poderia, inclusive, abrir caminho para uma intervenção da autonomia regional, como a realizada em 2017 após a tentativa de secessão. / AP e AFP

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