CHAIDEER MAHYUDDIN/AFP
CHAIDEER MAHYUDDIN/AFP

Barco com imigrantes que seguia até a Malásia recebe ajuda na Tailândia

Autoridades tailandesas ofereceram comida e água além de pessoas para consertarem o motor, mas não devem abrigar as pessoas

O Estado de S. Paulo

14 de maio de 2015 | 09h49

BANGCOC - Uma embarcação com 400 imigrantes muçulmanos da etnia Rohingya e cidadãos de Bangladesh que se dirigia para a Malásia chegou nesta quinta-feira, 14, ao litoral sul da Tailândia, onde os viajantes receberam alimentos e água, informaram fontes oficiais. O primeiro-ministro tailandês, Prayuth Chan-ocha, afirmou que o governo não tem recursos para abrigar os imigrantes. 

O navio entrou em águas da província de Satun, segundo uma das fotos publicadas pela imprensa local. As autoridades tailandesas pensam em ajudar o grupo e deixá-lo partir até seu destino, apesar de a Malásia ter anunciado essa semana que devolveria ao alto-mar toda embarcação com imigrantes ilegais que interceptasse.


O governo de Satun prometeu enviar mecânicos ao navio para consertarem o motor da embarcação, para que possa continuar seu caminho, segundo o jornal Phuketwan.

Na quarta-feira, a Marinha da Malásia apreendeu dois barcos, com cerca de 800 imigrantes rohingya e de Bangladesh. Autoridades forneceram combustível, comida e despacharam o navio de volta. 

O subdiretor para a Ásia da Human Rights Watch, Phil Robertson, condenou a decisão tailandesa de deixar o navio partir e afirmou que "Malásia e Tailândia estão jogando uma partida de pingue-pongue" com as vidas dos imigrantes. A comunidade internacional que os governos do Sudeste Asiático abram suas fronteiras e reforcem as operações de resgate para lidar com a situação.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), cerca de 25 mil pessoas saíram em embarcações a partir de Bangladesh e Mianmar durante o primeiro trimestre de 2015, o dobro do número registrado no mesmo período de 2014.

Os muçulmanos Rohingya não têm direito a cidadania pela lei de Mianmar. Durante anos, eles sofreram com ataques dos militares e budistas extremistas. Têm pouco acesso à educação ou à saúde e não podem se movimentar livremente. Cada vez mais ao longo dos últimos anos, os Rohingya têm entrado em barcos e buscado refúgio em Bangladesh e em outras nações, tentando fugir da pobreza. /AP e EFE

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