EFE/EPA/PATRICK DEENIK / MARINETRAFFIC.COM
EFE/EPA/PATRICK DEENIK / MARINETRAFFIC.COM

Reino Unido acusa navios iranianos de tentarem bloquear petroleiro no Golfo Pérsico

Londres diz que três navios da República Islâmica agiram para impedir rota da embarcação comercial 'British Heritage' pelo Estreito de Ormuz até serem confrontados por fragata britânica; Teerã nega envolvimento em qualquer disputa na região

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2019 | 02h13
Atualizado 11 de julho de 2019 | 10h34

LONDRES - Navios do Irã tentaram impedir a passagem na quarta-feira à noite de um petroleiro britânico no Estreito de Ormuz, afirmou nesta quinta-feira, 11, o Reino Unido, poucos dias depois de Londres ter interceptado um petroleiro iraniano em Gibraltar.

"Contra a lei internacional, três navios iranianos tentaram impedir a passagem de uma embarcação comercial, o 'British Heritage', pelo Estreito de Ormuz", afirmou o governo britânico em comunicado.

A nota explica que a Marinha Real teve que intervir com o deslocamento de uma fragata para ajudar o petroleiro, que pertence ao grupo BP Shipping, filial de transporte de combustíveis da gigante British Petroleum (BP).

"O 'HMS Montrose' se viu forçado a posicionar-se entre os navios iranianos e o British Heritage e a emitir uma advertência verbal aos barcos iranianos, que recuaram", prossegue o comunicado. "Estamos preocupados com esta ação e continuaremos pedindo às autoridades iranianas que acalmem a situação na região."

Sem comentar o incidente, a BP agradeceu a Marinha Real Britânica por seu apoio. "Nossa prioridade absoluta é a segurança de nossas tripulações e de nossos navios", destacou o grupo britânico.

Guarda Revolucionária iraniana negou ter bloqueado o petroleiro. "Não aconteceu um confronto nas últimas 24 horas com nenhum navio estrangeiro, incluindo os britânicos", afirma em comunicado publicado por sua agência de notícias, Sepah News, o corpo de elite das Forças Armadas do Irã.

De acordo com a nota, suas patrulhas no Golfo Pérsico são realizadas de acordo com "métodos rotineiros e missões ordenadas com inteligência e precisão". A Guarda Revolucionária garantiu, no entanto, que, no caso de receber uma ordem de captura de navios estrangeiros, está preparada para "fazê-lo imediatamente, com firmeza e rapidez".

E, poucas horas depois, fez uma advertência a Estados Unidos e Reino Unido, ao afirmar que os dois países "lamentarão muito" a interceptação por parte da Marinha britânica de um petroleiro iraniano na semana passada na costa de Gibraltar.

'Consequências'

O incidente aconteceu depois da advertência do presidente iraniano, Hassan Rohani, que ameaçou Londres para as "consequências" após a interceptação, por parte de Londres, do Grace 1 - o navio foi abordado na costa do território britânico, no extremo sul da península Ibérica, após uma operação que o Irã chamou de ato de pirataria em alto-mar.

"Recordo aos britânicos: vocês iniciaram esta insegurança e perceberão as consequências mais tarde", afirmou Rohani durante reunião do seu conselho de ministros.

A tensão na região do Estreito Ormuz, por onde transita quase um terço do petróleo mundial transportado por via marítima, alcançou o ponto máximo nas últimas semanas com uma espiral de eventos, como os ataques de origem desconhecida contra petroleiros e a destruição de um drone americano pelo Irã.

Teerã, acusada por Washington de provocar atos de sabotagem contra cargueiros, negou qualquer responsabilidade.

Em um clima de elevada tensão entre os países, o governo dos Estados Unidos expressou o desejo de formar uma coalizão marítima internacional para garantir a liberdade de navegação no Golfo.

"Acredito que provavelmente durante as duas ou três próximas semanas determinaremos quais são os países que têm vontade política de respaldar esta iniciativa. Depois vamos trabalhar diretamente com os militares para identificar as capacidades específicas que devem sustentar este projeto", afirmou na terça-feira o general Joseph Dunford, comandante do Estado-Maior do Exército americano.

O general, militar de maior patente nos EUA, explicou que Washington proporcionaria "o conhecimento e a vigilância do âmbito marítimo". A Quinta Frota americana tem sede no Bahrein.

A Rússia acusou os Estados Unidos de tentativa proposital de aumentar as tensões na região do Golfo, onde Moscou afirma temer um "confronto direto". "Washington tem feito todo o possível para que esta crise, este agravamento, persista", afirmou o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Riabkov, citado pela agência estatal Ria Novosti.

Washington se retirou do acordo internacional assinado em 2015 sobre o programa nuclear iraniano, ao acusar Teerã de desestabilizar a região. 

Os EUA retomaram duras sanções contra o Irã, especialmente contra as exportações de petróleo, ao mesmo tempo que afirmaram que não desejavam uma guerra com a República Islâmica. / AFP, EFE e REUTERS

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