Bariloche vive dia de saques e tensão

Moradores da periferia da cidade turística argentina atacaram mercearias, açougues e supermercados; ministros minimizam protestos da véspera

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2012 | 02h07

San Carlos de Bariloche, um dos principais pontos turísticos da Argentina, foi palco ontem de uma onda de saques e confrontos entre a polícia e moradores de bairros periféricos. Ao menos três supermercados foram invadidos, além de açougues e mercearias. No fim da tarde, o governo anunciou o envio de 400 policiais em dois aviões para controlar a situação.

A situação saiu de controle em Bariloche quando moradores com paus e pedras atacaram uma loja da rede de supermercados Changomas. Com os rostos cobertos, eles exigiram que os funcionários lhes entregassem víveres. Diante da negativa, invadiram a loja e roubaram, além de alimentos e bebidas, eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos.

A polícia estava em pequeno número e houve confronto. Carros foram queimados e a situação ainda não tinha sido completamente controlada no início da noite de ontem.

Rumores sobre a possibilidade de saques nos bairros mais pobres de Bariloche circulavam pela cidade havia vários dias. O prefeito Omar Goye já tinha sido alertado por líderes comunitários sobre o risco de ataques e pediu a redes de supermercado que doassem cestas básicas aos mais pobres.

Mais cedo, ministros da presidente Cristina Kirchner criticaram a manifestação organizada pelas principais centrais sindicais argentinas, a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) e a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA) na quarta-feira.

O ministro do Planejamento Julio de Vido rejeitou a comparação do protesto de quarta-feira com as manifestações de rua que levaram à queda do presidente Fernando de la Rúa, há 11 anos. "Em 2001, os trabalhadores pediam a devolução de suas poupanças, não estavam pedindo dólares para ir a Miami."

O ministro do Interior Florencio Radazzo questionou a utilização da data do protesto, ocorrido no mesmo dia do início dos protestos contra De La Rúa e disse que a manifestação não passou de um ato pequeno.

A presidente Cristina Kirchner passou o dia das manifestações na residência oficial de Olivos, na Grande Buenos Aires, e chegou à Casa Rosada após o discurso do líder da CGT, Hugo Moyano, na Praça de Maio. Na sede do governo argentino, Cristina recebeu empresários e políticos, mas não falou da manifestação.

Líderes sindicais ainda leais ao governo também criticaram a escolha da data do protesto. "Foi uma falta de respeito irracional e oportunista", disse o secretário-geral da facção governista da CTA, Hugo Yasky.

Clarín. Na quarta-feira, o governo Cristina apresentou um novo recurso na Justiça argentina contra uma decisão favorável ao Grupo Clarín, maior conglomerado de comunicação do país, que luta contra artigos da Lei de Mídia que determinam o desmonte de parte dos ativos da empresa.

Segundo o ministro da Justiça Julio Alak, o governo entrou com um recurso chamado per saltum, que possibilita que a Suprema Corte intervenha em casos de tribunais inferiores.

Na terça-feira, o juiz Horacio Alfonso da Vara Civil Comercial de Buenos Aires, acatou um recurso do Grupo Clarín e voltou a suspender artigos da Lei de Mídia que determinam o desmonte de empresas que excedam o limite de ativos previsto na legislação. Na semana passada, o mesmo juiz tinha tomado decisão favorável ao governo. Entidades de classe têm denunciado a pressão do governo sobre os juízes encarregados do caso. / AP e EFE

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