Barreiras dos EUA a importações devem dobrar em 1 ano

Desde janeiro, americanos abriram 19 investigações de dumping com o objetivo de impor restrições a importações com o argumento de ameaça à segurança nacional 

Jamil Chade, Correspondente / Genebra , O Estado de S.Paulo

30 Abril 2017 | 05h00

GENERBA - O governo de Donald Trump acelerou a imposição de barreiras comerciais contra seus parceiros. Dados de Washington indicam que a retórica anticomércio adotada pela Casa Branca começa a se traduzir em medidas reais contra importações.

Desde janeiro, um total de 19 investigações de dumping (práticas injustas de comércio) foram abertas contra produtos importados. Diferentemente de Barack Obama, que abria os contenciosos na Organização Mundial de Comércio (OMC), Trump preferiu usar a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial, de 1962, que dá ao presidente americano a possibilidade de impor restrições a importações usando como argumento questões de segurança nacional.

Em todo o ano de 2016, o total de investigações chegou a 37. Se o ritmo for mantido, o número de barreiras pode dobrar em um ano. O principal foco das investigações é o setor siderúrgico. Das 19 medidas iniciadas, 10 foram contra importações de aço.

O Brasil também tem sido afetado. Em cem dias de governo, Trump já iniciou investigações contra três produtos brasileiros. Um deles é a borracha sintética, além de silício metálico. Os americanos acusam o Brasil de exportar esses produtos com valores abaixo do mercado, minando a produção americana. Brasília argumenta que tal acusação não tem base.

Antes mesmo de Trump assumir, os dados coletados pela OMC indicam que o número de casos de medidas antidumping já tinha crescido em 2016 de forma substancial. No total, 300 investigações haviam sido iniciadas pelo mundo. Desse total, cem foram direcionadas contra produtos chineses.

Os EUA culpam a China, alertando que dos 22 países que em seis meses adotaram medidas antidumping, 18 eram direcionadas contra Pequim.

“A capacidade em excesso da China não dá outra escolha a não ser a imposição de medidas antidumping”, justificaram os americanos. Para a Casa Branca, Pequim não permite que o mercado estabeleça qual é a demanda e a oferta do produto.

Na OMC, a China afirmou que não aceitaria debater produção numa entidade que lida com regras comerciais. Pequim alegou que, nos últimos 30 anos, os EUA já adotaram mais de 200 medidas de restrição a produtos chineses do setor do aço. Para os chineses, é o governo americano que precisa “explicar suas intenções ao recorrer a tais investigações”.

No caso do Brasil, porém, os registros apontam para o abandono de medidas antidumping. Se em 2013 ou 2014 o País liderou entre os governos que mais impuseram barreiras, a política comercial foi modificada a partir de 2015. Já há dois anos, o total de investigações abertas contra produtos estrangeiros foi de 23 casos. Em 2016, esse número caiu para menos da metade, com onze casos de antidumping contra importados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.