REUTERS/Mohammad Ismail
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Base aérea de Bagram, uma das chaves para controlar o Afeganistão

A saída do exército americano da base teve início nesta sexta-feira, 2, e foi anunciada em abril passado pelo presidente dos EUA, Joe Biden

AFP, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2021 | 11h00

CABUL - Situada ao norte da capital afegã, Cabul, a base aérea de Bagram foi, durante décadas, o bastião das forças estrangeiras que combateram os rebeldes e um símbolo das brutalidades cometidas ao longo de todos estes anos de conflito.

Localizada a 50 quilômetros da capital, a base é vital para a segurança de Cabul e tem uma enorme importância estratégica para o controle de todo o norte do Afeganistão.

Tentacular, foi construída pelos americanos durante a Guerra Fria para seu aliado afegão, com o objetivo de ajudá-lo a se proteger, ao norte, da então União Soviética.

Desde sua construção, e ao longo das décadas de conflito que abalaram o Afeganistão, a base foi controlada por diferentes atores. 

Foi dali que a União Soviética organizou a ocupação do Afeganistão, após a invasão de 1979. O Exército Vermelho foi o responsável por ampliar a infraestrutura.

Após a retirada dos soviéticos em 1989, a base ficou sob controle do governo afegão, apoiado por Moscou, e, depois disso, nas mãos de uma administração mujahedin dividida durante a guerra civil. 

Em um dado momento, parece, inclusive, que os talibãs controlaram uma parte, e seus inimigos da Aliança do Norte, a outra. 

Bagram finalmente caiu nas mãos dos talibãs durante sua ascensão ao poder em meados dos anos 1990.

Um país mergulhado em conflitos

Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 e da invasão do Afeganistão por parte de uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, a base voltou a ficar sob controle americano.

Foi de Bagram que se lançaram os ataques aéreos contra os talibãs e seus aliados da rede Al-Qaeda e onde era organizado o reabastecimento das tropas. 

Nestas duas últimas décadas, a base recebeu várias visitas de presidentes americanos.

Também abrigou uma prisão, algo que gerou polêmica pelo tratamento dado aos detentos. 

Centenas de milhares de militares dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), assim como funcionários de empresas terceirizadas, passaram por Bagram. 

A instalação militar chegou a contar com piscinas, cinemas, spas e várias redes de fast food, como Burger King e Pizza Hut.

Nestes últimos meses, Bagram se tornou alvo de disparos de foguetes reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), o que faz temer que seja, em breve, alvo de um verdadeiro ataque.

Bye Bye

Após meses de consultas, o presidente americano, Joe Biden, anunciou em abril passado que suas últimas tropas em solo afegão deixarão o país até 11 de setembro próximo, pondo fim, com isso, à mais longa guerra já travada pelos Estados Unidos. 

A saída dos americanos da base teve início nesta sexta-feira, 2. "Todos os soldados americanos e membros das forças da Otan deixaram a base aérea de Bagram", disse ao The Washington Post um oficial sênior dos Estados Unidos, sob condição de anonimato.

Autoridades militares americanas chegaram a considerar manter Bagram ativa por mais tempo, em resposta a uma ofensiva do Taleban que cercou várias capitais de províncias no país. Por fim, o governo Biden decidiu continuar seu plano de retirada.

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