Base da Al-Qaeda pode ser em Milão

Um relatório do Departamento do Tesouro norte-americano, divulgado pela imprensa italiana, diz que a base operativa na Europa de Al-Qaeda - a organização terrorista de Bin Laden - é em Milão. Mais exatamente, no Centro Islâmico Italiano, cuja sede fica em Via Jenner. Dali sairiam armas, homens, documentos falsos e dinheiro para várias partes do mundo. A conexão entre o terrorista bilionário saudita e o centro islâmico seria encoberta pelas atividades de uma empresa de comercio de mel. A "Al-Shifa Honey Press", com sede no Yemen e administrada por Mahmud Abu al-Fatuh Muhamad, que teria fortes ligações com o instituto de Milão. Mahmud é uma das 39 pessoas e empresas suspeitas de relacionamento com Bin Laden que as autoridades americanas estão investigando, após ter bloqueado suas contas bancárias. As acusações contra o centro islâmico baseiam-se em investigações precedentes e principalmente nas declarações de um integralista arrependido - Houssaine Kherchtou, que morou em Milão por algum tempo. Em atividade há mais de 10 anos, o centro islâmico italiano abriga uma mesquita, oferece cursos de árabe e de cultura islâmica, alem de recolher fundos para ajudar os "irmãos" da Palestina, Argélia e Chechênia. É freqüentado por milhares de muçulmanos, que lá vão para rezar. Entre eles há centenas de militantes declarados, de facções integralistas. O nome do centro aparece nas investigações sobre os atentados às embaixadas norte-americanas no Kênia e na Tanzânia, em 1998. E está envolvido em várias outras. Em junho de 95, a polícia italiana chegou a revistar a sede de Via Jenner, onde encontrou passaportes falsos, e emitiu mandado de prisão contra o imã Anwar Shaaban, que conseguiu fugir e acabou sendo assassinado na Bósnia. Na quinta-feira passada, a polícia italiana prendeu um cidadão tunesino, acusado de ligações com a Al-Qaeda, próximo ao instituto islâmico. Há vários anos as polícias européias e norte-americanas controlam os movimentos de pessoas suspeitas no norte da Itália. E o próprio ministro do interior, Claudio Scajola, definiu Milão como "importante base logística da rede terrorista islâmica e célula de recrutamento", ao comentar a prisão do tunesino. Grupos baseados no norte da Itália estariam envolvidos no atentado de 1993 contra o World Trade Center. E o centro situado nas Via Jenner não é o único endereço ligado ao extremismo islâmico na Itália. Segundo denúncias feitas pelo jornal Corriere della Sera, depois dos atentados do dia 11 de setembro alguns enviados da Jihad egípcia ofereciam viagens ao Afeganistão para quem quisesse se adestrar - passando pela fronteira com o Irã. Uma organização financeira dos Emirados Árabes, com sede numa praça central, ao lado do Duomo - catedral de Milão - destina uma porcentagem do dinheiro dos investidores para a Al-Qaeda. E outros militantes passam em revista grupos de imigrantes em busca de profissionais como pilotos, estudantes de engenharia ou química. A polícia italiana ainda não conseguiu explicar o que o irmão de Osama, Yeslam Bin Laden, de 50 anos e residente na Suíça, fez em suas nove viagens a Milão de março a setembro. Ele não teria passado mais do que quatro horas na cidade, pousando e decolando no aeroporto de Linate a bordo de seu avião particular - um birreator Challenger CI 600, de propriedade da "Binladenaviation" que tem sede em Jeda. Leia o especial

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