Base dos temíveis B-2 está de prontidão

O jantar dos pilotos era galinha frita e purê de batatas, com sorvetes de sobremesa, quando as luzes mudaram de cor às 19 horas de quinta-feira, colocando em alerta máximo a base Spirit da força aérea dos Estados Unidos, no interior do Estado do Missouri.Dessa instalação, secreta até 1992, saem os mais caros aviões militares do mundo, os bombardeiros estratégicos B-2, invisíveis ao radar. Cada um deles, e existem apenas 30, custa US$ 2 bilhões. O fato de terem sido mobilizados na escalada de preparativos do governo americano para a inexorável retaliação contra os atentados terroristas em série em Nova York e Washington indica que nenhum recurso será poupado no ataque.E que a vingança provavelmente primeiro virá pelo céu, na forma de toneladas de fogo e aço quente despejados por ondas de aviões de avançada tecnologia, mísseis de precisão e bombas de grande poder de destruição. Toda a poderosa máquina de guerra dos EUA entrou na condição de defesa Defcon-4 poucas horas depois que os jatos comerciais seqüestrados se chocaram com as torres gêmeas do World Trade Center (WCT) e o Pentágono.Isso significa que do total ideal de 2,5 milhões de soldados, homens e mulheres, pelo menos 1,3 milhão estão prontos para a ação. A ordem executiva do presidente George W. Bush para essa prontidão ativou imediatamente um contingente de 180 mil soldados, homens e mulheres em todo o mundo, integrantes das forças de resposta rápida.Na sexta-feira ele autorizou a convocação de 50 mil reservistas de primeira linha (35 mil já foram chamados) e recebeu do Congresso o aval para gastar US$ 40 bilhões nas operações militares. O inimigo, entretanto, ainda não está identificado. A luta deve começar pelo ar, com grupos de bombardeio atingindo os alvos estratégicos primários - instalações militares, centrais de comunicações e de energia - a intervalos de 30 minutos, dia e noite.Na hipótese do árido teatro de operações do Afeganistão, com suas cidades destruídas pelas guerras com a ex-União Soviética e com os rebeldes da Aliança do Norte, a ação cirúrgica pode não ser suficiente."Será preciso descer à terra, mandar soldados e equipamento pesado para a frente, encarar a terrível conseqüência das batalhas de desgaste", acredita o perito francês François Heisburg, presidente eleito do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. Desde a Guerra do Golfo, os Estados Unidos têm apostado nos bombardeios maciços com armas de precisão disparadas de longa distância, com pequena exposição de pessoal, e, conseqüentemente, menor número de baixas.A doutrina do Pentágono é a de que os exércitos do país só entrarão em batalha se a proporção for de 50 soldados americanos para 1 oponente em áreas de selva, ou de 15 para 1 em cenários urbanos.Para invadir o Afeganistão será preciso desembarcar 100 mil combatentes no Paquistão. O governo de Islamabad concordou em apoiar o esforço dos EUA. Ainda assim, os primeiros movimentos envolverão o envio dos pesados B-52 e eventualmente dos sofisticados B-2 Spirit, com forma de asa voadora. Com um ou dois reabastecimentos em vôo, esses jatos podem sair de qualquer ponto do território americano atacar os objetivos no Oriente e retornar 30 horas depois de terem decolado. A tempo de o piloto jantar galinha frita e purê de batatas.

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