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Base naval tem regras e códigos particulares

Guardas da prisão são proibidos de falar com detentos e jornalistas só podem fotografá-los do pescoço para baixo

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

01 de março de 2008 | 00h00

No final do ano passado, a brasileira Adriana Lima e mais duas modelos da Victoria?s Secrets vieram para Guantánamo animar as tropas. "Mas elas estavam mais vestidas do que muita gente que estava assistindo", disse um soldado, decepcionado.Falta mulher aqui na base. Mais de 90% dos 1.850 militares servindo em Guantánamo são homens. Quem vem trabalhar na prisão fica de 6 a 18 meses na base e não pode trazer a família. Guantánamo é chamada de "Gitmo" pelos oficiais (por causa da abreviatura do aeroporto da base, GTMO, e da mania dos militares de arrumar siglas para tudo). A base também tem seu cumprimento especial.Quando um oficial encontra um colega de escalão superior, ele diz: "Compromisso de honra!", sendo que o outro responde: "Para defender a liberdade!"Outro costume da base é evitar a palavra "prisão". Os militares só se referem à prisão como "campo" e os presos nunca são prisioneiros, e sim "detentos".Os guardas da prisão têm uma missão difícil. São proibidos de falar com os prisioneiros e podem bater neles em situações especiais, para controlar revoltas. Entre as insalubridades do serviço estão os chamados "coquetéis" - sacos cheios de urina, fezes, vômito ou esperma que os detentos jogam nos militares. No Campo 6, de alta segurança, existe até uma máquina especial de "lavagem emergencial dos olhos", por causa dos freqüentes ataques de coquetéis.Grande parte das pessoas que está aqui vê Guantánamo como um emprego, e só. "Eu fui designado para cumprir uma tarefa e cumpro", diz Chris Cookson, de 38 anos, guarda no Campo 4. "Eu não penso no que estou fazendo, só faço."A base tem 116 quilômetros quadrados e foi alugada por Cuba em 1903. Os EUA pagam US$ 4.086 por mês de aluguel, mas Cuba rejeita descontar os cheques. Visitar a fronteira com Cuba, guiada por um marine, é fazer um mergulho na Guerra Fria.Na fronteira, há uma cerca de três metros de altura, seguida de um campo minado de 2 quilômetros de extensão. "Você vê esse mastro com a bandeira dos EUA?", diz o marine em sua voz monocórdia. "Repare como ele é muito mais alto do que o mastro com a bandeira de Cuba ali atrás", diz. "Castro (como eles chamam Fidel) tentou fazer um mastro maior, mas o nosso é mais alto."Inadvertidamente, a repórter do Estado aponta para a torre de observação de Cuba, distante três quilômetros. "Não aponte!", diz o marine, alarmado. "Eles estão nos observando."As iguanas são, de longe, os seres mais bem tratados da Baía de Guantánamo. Iguanas cubanas são protegidas pelas mesmas leis ambientais dos EUA - ou seja, quem atropelar uma iguana leva uma multa de US$ 10 mil. Como resultado, é comum uma fila de carros parados para esperar uma iguana cruzar a estrada.

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