Bashar Assad deve se abrigar no litoral

Bashar Assad deve se abrigar no litoral

Ditador sírio poderia optar por Lakatia, cidade mediterrânea próxima de base russa

Roberto Godoy - O Estado de S.Paulo,

28 de agosto de 2013 | 22h57

Sob fogo dos mísseis e das bombas inteligentes da provável coalizão liderada pela França ou pelos Estados Unidos, Bashar Assad e sua tropa mais fiel, a brigada alauita de Forças Especiais, primeiro resistirá - e depois seguirá para um enclave no litoral do Mediterrâneo, incluindo a cidade portuária de Latakia e a estratégica Homs, o centro industrial mais avançado do país.

A região, próxima do parceiro Irã, da base russa de Tartus e na linha de acesso ao Líbano, aberta ao longo de 2012 - e, de acordo com os serviços de inteligência ocidentais, utilizada por grupos fundamentalistas, como o Hezbollah e o Hamas - permitiria a Assad declarar uma espécie de Estado em separado, sob regime especial previsto pela ONU.

Assad contaria também com a Guarda Republicana e com as 4.ª e 5.ª divisões. Um grupo de 50 mil militares, segundo a análise do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.

A informação, embora relativamente frequente nas análises de especialistas sobre o cenário do conflito sírio, chegou, na terça-feira, até o Comitê das Forças Armadas do Senado americano. O candidato derrotado à presidência e senador republicano John McCain, integrante do grupo, voltou a insistir na necessidade de uma "atitude enérgica".

O senador citou as 1.300 vítimas fatais do cada vez mais evidente ataque com gás intoxicante nos arredores de Damasco e perguntou, durante a sessão: "Quantos mais terão de morrer antes que seja recomendada a devida ação militar?"

As Forças Armadas da Síria encolheram em relação ao contingente de 2011 - o Exército soma agora 110 mil homens e mulheres, inclusive os jovens convocados para os 30 meses de serviço obrigatório. Há três anos eram 220 mil - o tamanho das tropas caiu pela metade. Houve deserções e muitas baixas.

A Marinha totaliza 5,2 mil e a Aviação Militar não passa de 27 mil, embora tenha sido reforçada continuadamente, desde 2009, por voluntários estrangeiros não identificados.

A frota declarada de tanques (4.950 unidades) e blindados (2.950 de cinco diferentes tipos) é referente ao disponível antes do conflito. A estimativa é de que cerca de 30% do equipamento caiu em mãos dos rebeldes ou foi destruído durante a luta civil.

O inventário da Força Aérea não é melhor. Havia 536 aeronaves de ataque há quatro anos. O número foi reduzido para bem menos, 365 aviões. Os mais modernos são 30 MiG-29 modernizados nos anos 90. O modelo de maior presença é o MiG-23 de ataque ao solo - antigo, porém robusto e com grande capacidade de destruição. As bases distribuídas pela Síria usam perto de 90 deles. Não há dados disponiveis a respeito da manutenção.

Bashar Assad concentrou recursos em dois comandos, o da defesa aérea e o aeroestratégico encarregado da operação do arsenal químico composto por gases sarin, asfixiante, e VX2 vesiculante - ambos agentes nervosos. O time antiaéreo joga pesado. As duas divisões têm em estoque 4.400 mísseis pesados, mais 4 mil de porte pessoal, do tipo disparado por um artilheiro. O alcance dos maiores chega a 35 km e 15 mil metros de altitude. Os menores vão de 3,5 km a 5,2 km. Os mísseis Scud modernizados, com raio de ação no limite de 450 a 600 km, que eram mais de 100 em 2010, atualmente são apenas 80.

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