Bashar Assad supende dívidas de reservistas convocados

Além de melhorar o moral das tropas, regime sírio parece querer desencorajar mais deserções

BEIRUTE, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2013 | 02h48

BEIRUTE - O ditador sírio, Bashar Assad, isentou os milhares de reservistas que convocou para lutar contra os rebeldes, que tentam depor seu regime, de pagar prestações de dívidas e multas enquanto estiverem a serviço do Exército, afirmou ontem a agência de notícias estatal Sana.

A expectativa é que o decreto estimule o moral entre os soldados e desencoraje as deserções, num momento de acentuado esforço das tropas oficiais, após quase dois anos e meio de guerra civil.

A determinação de Assad adia o pagamento de prestações que reservistas pagam aos bancos públicos ao longo do serviço militar. As multas tomadas durante esse período serão anuladas. As forças oficiais têm perdido terreno para os rebeldes. Reservistas desertores afirmam que o desânimo é geral entre as tropas e os soldados estão virtualmente aprisionados em seus campos pelos oficiais, que temem fugas em massa.

O Instituto Internacional para Estudos Estratégicos, da Grã-Bretanha, afirma que o contingente do Exército sírio caiu pela metade, para cerca de 110 mil militares, em razão das deserções e das baixas que tem sofrido desde o início do levante.

Um ano após o início da guerra civil, o regime sírio intensificou restrições para a saída do país de homens em idade de servir ao Exército, para evitar uma fuga de reservistas.

Desde então, as forças de Assad têm contado com a ajuda de combatentes do grupo radical xiita libanês Hezbollah e de milicianos sírios.

O confronto tem tomado um tom cada vez mais sectário, com o ditador alauita (um ramo do xiismo) enfrentando rebeldes sunitas, muitos também ligados a movimentos fundamentalistas.

A maioria dos insurgentes é de seguidores do sunismo, que predomina sobre o alauismo e outras minorias religiosas presentes no território sírio.

A ONU estima que 100 mil pessoas morreram em razão da guerra civil. / REUTERS

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