Bashir, anfitrião de terroristas, deu sinal verde para massacres

Milícia de saqueadores foi autorizada a agir em Darfur

O Estadao de S.Paulo

15 de julho de 2008 | 00h00

Omar al-Bashir, o presidente do Sudão, tem uma história polêmica. Ficou conhecido por ser o anfitrião de alguns dos principais terroristas do mundo e é temido no Sudão. Ele ascendeu ao poder em 1989, com um golpe de Estado. Mas hoje não tem apoio popular e conta com o Exército e o dinheiro do petróleo para manter-se no governo. O ditador não perdoa seus opositores: censura jornais, críticos e manda prender quem ousa desafiá-lo. Alguns de seus maiores aliados em 1989 hoje estão na cadeia, todos acusados de traição.No anos 90, foi também um dos responsáveis por acolher Osama Bin Laden na capital, depois de já ter sido anfitrião por anos de Carlos, o Chacal. No clube armênio de Cartum, as festas regadas a uísque e drogas faziam parte dos encontros entre Carlos e Bashir, que quando subiu ao poder instaurou a lei islâmica, que proíbe o consumo de álcool. Anos depois, Bashir se propôs a "vender" tanto Bin Laden quanto Carlos ao Ocidente. No caso de Carlos, os franceses aceitaram o acordo. Já os americanos se recusaram a pagar por Bin Laden. A percepção inicial de Bashir sobre Darfur era a de que, com um pouco de violência, os rebeldes logo seriam derrotados. No entanto, cinco anos depois, os conflitos se intensificaram e agora ameaçam a estabilidade de toda a África Central.A percepção do governo era a de que os rebeldes em Darfur precisavam ser aniquilados antes que o problema se espalhasse e pusesse em risco a sobrevivência do país. Por isso, o presidente comandou pessoalmente as operações na região. Decidiu aliar-se a um tradicional grupo de bandidos que, até 2003, percorria Darfur a camelo saqueando pequenas vilas: os janjaweeds. Entre as suas armas de guerra estão o estupro, o terror e a queima de vilarejos inteiros. Hoje, essa milícia é parte integral do governo. Bashir deu a eles todos os poderes para cometer os piores crimes contra a população não-árabe da região. Pressionado pelo Ocidente e sofrendo diversas sanções internacionais, Bashir já prometeu eleições para presidente em 2009. "No Sudão, ninguém acredita que as eleições serão limpas", afirmou Hassan al-Turabi, líder islâmico que foi o principal aliado de Bashir no golpe de Estado.

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