Basra: ponto estratégico para segurança e foco da insurgência

Nesta quarta-feira a cidade iraquiana de Basra, ao sul do Iraque, foi colocada em estado de emergência pelo premier iraquiano, Nouri Kamel al-Maliki. A determinação, com validade de um mês, foi anunciada durante a visita do primeiro-ministro à cidade, que considerou a deterioração da segurança na localidade - com seqüestros e assassinatos diários - como um problema de "ingerência".Os problemas na cidade, no entanto, já duram alguns anos. Trata-se de uma região estratégica, com solo fértil capaz de produzir arroz, milho e madeira. Mas, mais que isso, conta com grandes reservas de petróleo.Basra ("o olho de tudo", em tradução livre) tem uma população de 1,5 milhão de habitantes, é a segunda maior cidade iraquiana e é considerada "A Veneza do Oriente Médio" durante as épocas de maré alta, que criam canais de navegação utilizados por seus habitantes. A cidade também têm o maior porto do Iraque, com acesso ao Golfo Pérsico, o que faz do seu controle uma estratégia essencial para qualquer exército que tente uma incursão no país.A incursão americanaEm 2003, quando a "guerra ao terror" dos EUA colocou sua máquina militar em avanço, Basra se tornou o sonho e o pesadelo das forças da coalizão. O governante iraquiano na época, Saddam Hussein, empregou suas melhores tropas para proteger a cidade, clamando por uma "defesa heróica" a seus soldados. Saddam foi fielmente obedecido.Alguns dias após o primeiro embate na cidade, as forças estrangeiras, entendendo o trabalho e as perda que teriam nas batalhas de Basra, mandaram algumas tropas contornar a cidade para evitar os confrontos.Mas no dia 5 de abril tropas britânicas conseguiram furar o bloqueio iraquiano e estabelecem uma base dentro da cidade. No dia seguinte, a resistência iraquiana foge da cidade, deixando as forças da coalizão finalmente entrarem. Ainda assim, a opinião dos civis contra as forças de invasão foi cristalizada pelas redes de TV iraquianas, que mostravam diariamente os corpos deixados para trás a cada combate. Mesmo sem embates imediatos, a tensão permaneceu.Sem SaddamCom a queda definitiva do regime de Saddam Hussein no dia 9 de abril de 2003, começa a "reforma" do exército iraquiano, que seria colocado à disposição das forças estrangeiras com o objetivo de estabelecer um controle sobre a guerrilha que toma conta do país.Basra, no entanto, resiste como bastião rebelde, e em 2004 grupos insurgentes começam a emboscar patrulhas do novo exército iraquiano que circulam pela área. A cada mês os protestos antiamericanos aumentam.Em 2005 o terrorismo se torna cotidiano na cidade, que começa o ano com 17 membros da polícia mortos em ataques de homens-bomba. As eleições para o novo Gabinete, marcadas para o dia 30 de janeiro, são adiadas pelo ministro da Defesa iraquiano, Hazem al-Shalan.Em março, estudantes são espancados até a morte por tocarem música e manterem contatos excessivos com mulheres. Seqüestros seletivos também são perpetrados por grupos extremistas baseados em Basra.Novo governoNo dia 20 de maio de 2006, é eleito o novo primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, mas a situação do país ainda é delicada, com as forças iraquianas não conseguindo estabelecer a ordem no país.Basra continua sendo um foco de constantes conflitos, e mesmo com cerca de 8.000 soldados britânicos baseados na cidade a situação chega ao insuportável.Nesta quarta o primeiro-ministro disse que o "governo iraquiano não hesitará em usar toda a força contra os grupos que fazem tráfico ilegal de petróleo ou de outros tipos de mercadoria em Basra". O porto pelo qual o Iraque exporta a maior parte de seu petróleo está localizado na cidade.A tensão na cidade aumentou no início do mês, após a retirada do partido Al-Fadila das negociações para a formação do governo iraquiano. O partido divergia dos outros grupos políticos sobre a distribuição dos cargos ministeriais.O Al-Fadila é uma das sete formações políticas que integram a Aliança Unida Iraquiana (AUI, xiita) que, com suas 128 cadeiras, é a principal força política no Legislativo, seguida pela Coalizão Curda (54 cadeiras) e a sunita Frente do Consenso Iraquiano (44 cadeiras).

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