AFP PHOTO / MARTIN BUREAU
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Sting reabrirá Bataclan 1 ano após atentado

Casa de shows em Paris receberá no dia 12, véspera do ataque jihadista que deixou 90 mortos completar um ano, show do cantor britânico Sting; Eagles of Death Metal, que se apresentava no momento do atentado, participará de cerimônia

Andrei Netto Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2016 | 12h02

(Atualizada às 19h38) A casa de shows Bataclan, alvo do maior atentado terrorista da história da França, vai reabrir suas portas no dia 12 com um show de Sting. A apresentação ocorrerá na véspera do aniversário de um ano dos atentados de Paris e Saint-Denis cometidos em nome do grupo terrorista Estado Islâmico. A ação deixou 130 mortos e centenas de feridos. Destes, 90 perderam a vida dentro do prédio, atacado por jihadistas.

O anúncio de hoje foi feito pelo próprio cantor britânico, ex-líder do grupo The Police, que quebrou um segredo. Via Twitter, Sting afirmou que seria o primeiro a voltar ao palco do Bataclan. “Show exclusivo em Paris para a reabertura do Bataclan acaba de ser anunciado para sábado, 12 de novembro”, informou o astro, prometendo “respeitar a memória dos que morreram”. A bilheteria será aberta na terça-feira, às 10 horas – 7 horas no horário brasileiro –, marcando o reinício oficial das atividades para o público na casa de shows. 

Até o anúncio, a perspectiva era de que a sala reabrisse três dias após os atentados, no dia 16, com um concerto de Pete Doherty. Uma série de outros shows, incluindo Marianne Faithfull, já está marcada para 2017. “A música pode fechar feridas, e é por isso que cantar no Bataclan é uma boa coisa”, disse a cantora. Para o primeiro show, Sting cobrará um cachê simbólico, de € 100 mil, um valor que será revertido, com a bilheteria, para duas associações de vítimas, em especial Life for Paris.

O Bataclan foi totalmente reformado para a reabertura. Na noite de 13 de novembro, três homens armados e equipados de coletes de explosivos, os franceses Foued Mohamed-Aggad, 23 anos, Ismael Omar Mostefai, de 29, e Samy Amimour, de 28, invadiram o show da banda americana Eagles of Death Metal atirando contra a multidão com fuzis AK-47. A reforma não muda o estilo da casa: ela foi restaurada como antes do ataque.

“Ninguém pode imaginar tal horror. Quando algo assim nos atinge em cheio é preciso um certo tempo para se recuperar e falar a respeito”, afirmou Jérôme Langlet, presidente de Lagardère Live Enternainment, a empresa que administra a casa. “A prioridade foi falarmos com as vítimas, e o silêncio que guardamos durante esse tempo era para respeitar sua dor. Hoje é preciso mostrar ao mundo inteiro que o Bataclan avança, que o Bataclan está vivo.”

Um forte esquema de segurança será usado. Além da revista rigorosa no acesso, há agora um circuito interno de TV. Um efetivo de policiais e agentes à paisana trabalhará no reforço da vigilância em Paris, onde o estado de emergência completará também um ano. 

 

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