'Batalha cultural' é a bandeira usada pela presidente

CENÁRIO: Ariel Palacios

O Estado de S.Paulo

26 Maio 2013 | 02h06

"Batalha cultural" é a expressão usada pela presidente Cristina Kirchner para designar a tentativa do governo de ocupar a maior parte possível dos espaços na mídia. A guerra começou com um aumento da publicidade oficial nos meios de comunicação. Os gastos anuais passaram de US$ 11 milhões, em 2003, para US$ 286 milhões, em 2011, segundo a Auditoria-Geral da Argentina. A maior parte das verbas foi destinada a meios de empresários alinhados com o governo.

Nos últimos anos, o governo aumentou sua presença na mídia por vias inéditas, entre elas a estatização das transmissões dos jogos de futebol. Ao longo dos jogos, a Casa Rosada só transmite propagandas favoráveis a Cristina, além de críticas a opositores. O sistema é deficitário, já que a presidente proíbe publicidade de empresas privadas.

O governo também criou as primeiras histórias em quadrinhos estatais da América do Sul, distribuídas gratuitamente pela agência oficial de notícias Télam. A intenção é reduzir a influência dos quadrinhos estrangeiros, exaltar os valores nacionais e mostrar para a opinião pública quais são os "traidores da pátria".

A batalha não é aplicada apenas às notícias atuais, segundo a socióloga Beatriz Sarlo. "Existe uma batalha cultural do governo que inclui uma revisão dos fatos históricos em favor de suas políticas atuais", disse. É o caso dos subsídios a filmes e minisséries que respaldam o kirchnerismo apresentando a sua versão da história argentina.

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