AFP PHOTO / AHMAD AL-RUBAYE
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Batalha de Mossul se intensifica e preocupação com civis aumenta

Enquanto em uma das frentes de combate as forças iraquianas já estão a cerca de 600 metros da segunda maior cidade do Iraque, em outras ainda há de 30 km a 2 km de terreno para recuperar dos extremistas; ONGs dizem que a vida de 1,2 milhão de iraquianos estão em risco

O Estado de S. Paulo

02 de novembro de 2016 | 11h26

BAGDÁ - As organizações humanitárias alertaram nesta quarta-feira, 2, sobre o destino de mais de um milhão de civis encurralados na cidade iraquiana de Mossul, num momento de intensificação dos combates na periferia deste que é o último grande reduto do Estado Islâmico (EI) no país.

Os extremistas islâmicos tentavam resistir às forças de elite de contraterrorismo (CTS) na localidade de Gogjali, na saída de Mossul. O estalo de armas automáticas era ouvido na parte de trás da linha de frente, localizada a cerca de 600 metros da segunda maior cidade do Iraque.

Na zona de Gogjali já libertada pelas forças do governo, um soldado iraquiano agitava uma bandeira negra da organização extremista. "Nós a retiramos e hasteamos a bandeira do Iraque no lugar", explicou Mohammed Ali que, como seus companheiros, tenta expulsar os últimos jihadistas do vilarejo.

Os moradores da área começavam a sair às ruas depois de dias enclausurados em suas casas em razão dos combates. Foi pelo sul de Gogjali que, de acordo com o Exército, as forças iraquianas entraram na terça-feira em Mossul propriamente dita pela primeira vez desde a tomada da cidade pelo EI em junho de 2014.

Estas forças, apoiadas pela coalizão internacional liderada por Washington, ainda não estabeleceram uma base de operações na cidade. Mas a presença de soldados na aglomeração urbana marca o início da batalha de Mossul, segundo uma autoridade militar.

Em outras frentes, as forças iraquianas estavam nesta quarta-feira dois quilômetros ao norte da cidade, enquanto as que atacam a partir do sul se aproximam de Hamam al-Alil, cerca de 30 km de Mossul. A maioria das autoridades acredita que a operação será longa, uma vez que o EI teve dois anos para se preparar para defender Mossul, onde o grupo extremista proclamou em junho de 2014 seu "califado".

Entre 4 mil e 7 mil extremistas presentes na região (incluindo entre 3 mil e 5 mil em Mossul) já provaram que vão resistir ao máximo às dezenas de milhares de membros das forças iraquianas. Desde 17 de outubro, as forças iraquianas já enfrentaram inúmeros ataques suicidas e disparos de morteiros.

'Preparando para o pior'. Na terça-feira, as forças iraquianas frustraram um ataque suicida graças a um transmissor de rádio tomado dos islamitas.

"Deixei (os suicidas) atrás do monte de terra. Assim que eles (as forças iraquianas) avançarem, eles (os suicidas) vão sair para encontrá-los", disse um extremista por rádio, em uma conversa ouvida por um jornalista da AFP presente com o Exército.

Um oficial, então, ordenou que dois veículos militares se aproximassem para fazer com que os suicidas saíssem de seu esconderijo e, em seguida, retrocedessem para deixá-los expostos a ataques. Um ataque aéreo selou seu destino.

Agora que as forças iraquianas estão em posição de iniciar o combate em áreas densamente povoadas, as organizações humanitárias se preparam para uma fuga em massa dos habitantes e pedem a abertura de corredores seguros para retirá-los.

Mais de 20 mil pessoas já foram deslocadas desde 17 de outubro, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Mas esse número deverá explodir em breve. "Estamos nos preparando para o pior. As vidas de 1,2 milhão de civis estão em grave perigo e o futuro do Iraque como um todo está em jogo", alertou Wolfgang Gressmann, diretor para o Iraque do Conselho Norueguês de Refugiados (NRC).

"Os habitantes viveram por quase dois anos e meio um terrível pesadelo. Todos nós temos agora a responsabilidade de colocar um fim a isso", acrescentou Gressmann. Segundo ele, "famílias foram separadas, muitos civis feridos e outros mortos por franco-atiradores ou explosivos" desde o início das operações de Mossul.

A ONU expressou na terça-feira "séria preocupação" sobre o destino de dezenas de milhares de civis que o EI sequestrou para possivelmente usá-los como escudos humanos. / AFP

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