Batalha judicial por vestimenta islâmica

A decisão da Câmara dos Lordes britânica de rejeitar um apelo de uma adolescente proibida pela escola de usar uma vestimenta islâmica da cabeça aos pés é destacada nesta quinta-feira pelos principais jornais britânicos. A família de Shabina Begum, de 17 anos, foi representada no processo pela advogada Cherie Blair, mulher do primeiro-ministro britânico. Ela argumentava que a exigência da escola para que ela utilizasse um uniforme violava seus direitos à educação e a manifestar livremente sua religião. Em um editorial intitulado ?O senso comum vence?, o Daily Telegraph diz que ?por fim, a Câmara dos Lordes trouxe alguma lucidez ao caso de Shabina Begum, a estudante que insistia que era seu ?direito humano? desafiar o código de vestimenta de sua escola?. Em um outro artigo publicado pelo jornal, o deputado conservador Boris Johnson argumenta que o caso não estava relacionado com a ?proteção da modéstia? da adolescente, como argumentava a primeira-dama, mas sim ao ?poder?. ?O caso era sobre quem realmente administra as escolas no país e o quão longe o Islã militante pode seguir intimidando o aparato mentalmente espongiforme, pobre, amedrontado e gelatinoso do Estado britânico?, argumenta o deputado. Para ele, ao rejeitar o apelo de Shabina, a Câmara dos Lordes ?forneceu uma pequena mas importante vitória para o bom senso, para a coesão britânica e para o direito dos professores de administrar suas próprias escolas?. O Times, por sua vez, diz que o caso da adolescente foi inflamado pelo grupo radical muçulmano Hizb ut-Tahrir. ?O grupo, que luta para que a Grã-Bretanha seja sujeita a um regime islâmico, confirmou ontem (quarta-feira) ter aconselhado Shabina Begum a insistir em usar uma vestimenta islâmica completa em suas aulas?, diz a reportagem. O jornal diz, porém, que ?o partido extremista, o qual Tony Blair quer banir em resposta às bombas em Londres, afirma que não se envolveu com sua batalha legal?. Em uma reportagem de duas páginas, o Daily Mail destacou o custo do processo, dizendo que ?a estudante, derrotada, gastou 100 mil libras (R$ 375 mil) do nosso dinheiro para que ela pudesse utilizar uma vestimenta islâmica completa?.

Agencia Estado,

23 Março 2006 | 09h53

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