Batalha pelo aeroporto de Aleppo se intensifica na Síria

A batalha pelo segundo maior aeroporto da Síria se intensificou neste sábado, com as tropas do governo tentando reverter os recentes ganhos estratégicos dos rebeldes no nordeste do país. A oposição ao presidente Bashar al-Assad tenta há meses assumir o controle do aeroporto internacional de Aleppo.

AE, Agência Estado

23 de fevereiro de 2013 | 18h58

Rami Abdul-Rahman, diretor do Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, disse que o confronto está agora concentrado em parte de uma rodovia que liga a cidade ao aeroporto. Os rebeldes interceptaram a rodovia que o governo vinha usando para transportar tropas e suprimentos a uma base militar dentro do complexo do aeroporto. Eles também fizeram avanços significativos nas últimas semanas, assumindo o controle de duas bases aéreas ao longo da rodovia.

Aleppo é a maior cidade da Síria e a capital comercial do país. As tropas de Assad estão em confronto com rebeldes no local desde julho do ano passado. A oposição controla grandes pedaços de terra nos arredores de Aleppo, além de diversos bairros da cidade.

Na sexta-feira, forças do regime dispararam três mísseis em uma área controlada por rebeldes, no leste de Aleppo, atingindo diversas construções e matando 37 pessoas. Um ataque semelhante, na terça-feira, havia deixado 33 mortos, sendo que quase metade eram crianças.

Neste sábado, o Exército se focou também em Damasco, tentando retirar rebeldes dos arredores da capital. Os recentes avanços da oposição nos subúrbios de Damasco, aliados a bombardeios constantes na última semana, marcam um dos maiores desafios para o regime de Assad, que tem a maior parte do seu poder concentrado na capital.

Dois dias atrás, um ataque com carro bomba contra a sede do partido governista em Damasco matou 53 pessoas e deixou mais de 200 feridos, segundo a imprensa estatal. Os rebeldes contam 61 mortos, o que marcaria o maior ataque na capital desde o começo da guerra civil.

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que pelo menos 70 mil pessoas já morreram desde o início da guerra civil na Síria, em março de 2011.

Diplomacia

O chefe da oposição na Síria, Ahmed Moaz al-Khatib, criticou neste sábado as potências mundiais por não impedirem o violento conflito no país. As declarações foram dadas durante uma manifestação no Egito, que Khatib descreveu como "uma mensagem de protesto para todos os governos do mundo, árabes ou não árabes, que podem ver como o povo sírio está sendo morto, enquanto eles ficam simplesmente olhando".

Na sexta-feira a coalizão de oposição disse que vai boicotar uma reunião do grupo Amigos da Síria, na Itália, e cancelou viagens que estavam programadas para os EUA e a Rússia, citando a "vergonhosa" inação da comunidade internacional. Hoje, o Reino Unido criticou a decisão e disse que "agora não é hora de desistir" das conversas.

Os rebeldes querem ajuda na luta para derrubar o governo do presidente Assad. O problema é que a Rússia e a China estão bloqueando qualquer ação do Conselho de Segurança da ONU, e as potências ocidentais estão hesitantes em fornecer armas para a oposição, com medo de que elas caiam nas mãos de radicais islâmicos.

"A ONU é uma liderança global, assim como a França, o Reino Unido e a União Europeia. Todos eles têm sido incapazes de deter um assassino como Assad de continuar cometendo massacres contra nosso povo. Nós não podemos continuar ouvindo declarações que não são acompanhadas de atitudes. O mundo tem a responsabilidade de proteger o povo sírio", disse neste sábado o porta-voz da Coalizão Nacional, Walid al-Bunni.

Na segunda-feira, o ministro de Relações Exteriores de Assad, Walid al-Moallem, vai liderar uma delegação para Moscou. Os russos tentam intermediar um contato entre Assad e os opositores. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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