EFE/Centro de Informação de Alepo
EFE/Centro de Informação de Alepo

Batalha por Alepo será decisiva em guerra síria

Impasse entre forças leais ao governo, rebeldes moderadas, extremistas radicais, americanas e russas dividiu a cidade e isolou moradores civis

Karen DeYoung e Hug Naylor THE WASHINGTON POST

19 Agosto 2016 | 05h00

O cataclismo que convulsiona o interior e o entorno de Alepo reuniu todos os maiores participantes da guerra civil síria no que poderá ser a mais crucial batalha do conflito que já dura cinco anos. A situação também testa se a cooperação EUA-Rússia para pôr fim à guerra não é só uma esperança vã. 

Na parte norte da cidade, em que o governo mantém o lado ocidental e forças oposicionistas moderadas apoiadas pelos Estados Unidos controlam o lado oriental desde 2012, a oposição perdeu o controle de sua única linha de suprimento, sob incessante bombardeio aéreo e de artilharia da Rússia e da Síria. 

A estrada para a Turquia também é a única rota para ajuda humanitária ou de fuga para no mínimo 250 mil civis cercados dentro de Alepo que, segundo a ONU, estão sem comida, remédios e água corrente.

 

A situação é tão dramática que as conversações iniciadas pelo governo Barack Obama com a Rússia para coordenar esforços na Síria contra o terrorismo foram postas em banho-maria, atropeladas por outras negociações urgentes com Moscou, essas para a reabertura da estrada para a Turquia, segundo funcionários americanos. 

O embaixador russo na ONU, Vitali Churkin, confirmou que as negociações se seguiram a uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança na terça-feira. Mas ele acrescentou que “alguns problemas” permanecem, incluindo a insistência da Rússia de que não seja permitida a passagem de suprimentos para os rebeldes.

Até agora, progressos entre EUA, Rússia e ONU têm sido retardados por disputas sobre a que distância da estrada o armamento deve ser posicionado, e quem vai monitorar a manutenção do acordo e os pontos de controle. Em Genebra, o representante russo na ONU acusou os que apoiam a oposição de promover “histeria” sobre a situação humanitária, segundo a agência russa Interfax. 

Avanço da oposição. Enquanto isso, na periferia sudeste de Alepo, uma força opositora dominada por combatentes islamistas, sob fogo brutal da Síria e da Rússia, avançou através de um cerco governista para a parte da cidade controlada pelos rebeldes. 

Ali, os combatentes opositores mais moderados estão sob risco de ser dominados ou expulsos pelos militantes. Estes parecem já ter começado a estabelecer tribunais próprios e redes de distribuição de ajuda em Alepo. 

Há duas semanas, a Frente al-Nusra mudou seu nome e informou que estava cortando sua ligação com a Al-Qaeda, medida descrita por funcionários ocidentais como uma mudança cosmética para ocultar motivações futuras. 

Enquanto as forças da Frente al-Nusra cada vez mais se misturam a civis, grupos opositores moderados e à população restante na cidade, as esperanças do governo americano de separá-los e juntar-se à Rússia no bombardeio aos extremistas parecem ter diminuído. Convergências de forças vêm se espalhando pelo noroeste da Síria, com combatentes moderados - alguns relutantemente, outros nem tanto - correndo para relacionamentos de conveniência com os mais bem armados e bem-sucedidos extremistas que tentam derrubar o presidente Bashar Assad. 

Isso conduziu ao quase colapso de um cessar-fogo nacional apenas um mês após ser negociado, em fevereiro, entre Washington e Moscou, que prometeram impô-lo a seus aliados sírios em terra. Só o Al-Nusra e o Estado Islâmico ficaram de fora. Mas, com as forças de Assad perdendo terreno em contínuos combates contra a Al-Nusra, seus apoiadores russos recomeçaram o bombardeio. 

Os EUA acusaram a Rússia e Assad de usar a Al-Nusra como cortina de fumaça para atacar forças da oposição moderada; a Rússia argumentou que era difícil separar um grupo do outro. 

Jeff White, do Instituto para Política do Oriente Médio, diz que o avanço rebelde em Alepo revela o persistente enfraquecimento das forças terrestres de Assad. “O problema básico do regime é manter o território ocupado”, disse o especialista. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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