REUTERS/Ahmed Jadallah
REUTERS/Ahmed Jadallah

Batalhão de curdas usa canto contra Estado Islâmico

Além de recorrer à artilharia, as combatentes que lutam para retomar Mossul, no Iraque, provocam radicais com a música proibida por eles

O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2016 | 05h00

SAMAQA, IRAQUE - Quando insurgentes do Estado Islâmico disparam granadas de morteiros contra combatentes curdas iranianas em uma posição no deserto no norte do Iraque, as mulheres primeiro contra-atacam cantando em megafones. Então, elas abrem fogo com metralhadoras.

“Queremos deixá-los furiosos. Dizer ao EI que não temos medo”, disse Mani Nasrallahpour, de 21 anos, uma das 200 combatentes peshmergas que deixaram suas vidas no Irã para lutar contra os militantes sunitas no Iraque. 

Um comandante disse que o EI deliberadamente disparou 20 granadas de morteiros quando a cantoria começou. O EI proíbe a música e a dança. O grupo também impôs severas restrições às mulheres e tomou centenas delas como escravas sexuais desde que invadiu o norte iraquiano em 2014 e declarou um califado em partes do Iraque e da Síria.

As curdas integram uma unidade maior de 600 combatentes alinhados ao Partido Libertação do Curdistão, conhecido pelo acrônimo em curdo PAK.

Esse grupo juntou-se a forças iraquianas e curdas que recebem apoio da coalizão liderada pelos EUA em uma ofensiva que tem como objetivo expulsar o Estado Islâmico de seu reduto na cidade de Mossul. Mas o grupo tem um objetivo mais ambicioso de criar um nação curda independente em uma área que abrange partes de Iraque, Irã, Turquia e Síria – algo que essas nações rejeitam. 

“Combatemos para defender nossa terra, seja no Curdistão iraniano ou iraquiano. Não importa se é o EI ou outro grupo que esteja ocupando nosso território”, disse Nasrallahpour, segurando um AK-47. 

A presença das peshmergas é uma lembrança da complexidade do campo de batalha no norte do Iraque, onde as mulheres recentemente se juntaram a combatentes iraquianos e curdos nos esforços para expulsar os jihadistas do vilarejo de Fadiliya.

Carregando uma pesada metralhadora Avin Vaysi corre de rua em rua combatendo o Estado Islâmico. “Eles têm medo de mulheres”, disse. “É verdade que o EI é perigoso, mas não temos medo dele.”

Não muito longe dali uma combatente do grupo foi morta. Como outras peshmergas, Vaysi ficou enfurecida com as denúncias de que os militantes estão abusando das mulheres. Então ela decidiu fazer justiça com as próprias mãos. “Vi na TV que o EI estava torturando as mulheres e meu sangue ferveu”, disse Vaysi, de 32 anos, que tem uma bandeira curda pintada no rosto. “Decidi então lutar contra eles.”

A presença do PAK no norte do Iraque é controvertida. O Irã pressionou o governo regional curdo a expulsar o grupo. Desde o início do ano o PAK entrou em confronto em seis ocasiões com a Guarda Revolucionária no Irã.

Apelo. Em meio ao avanço sobre Mossul de tropas iraquianas apoiadas pelos Estados Unidos, o líder do Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al-Baghdadi, convocou ontem combatentes leais ao grupo a lutar até a morte para defender a cidade. A coalizão que combate os extremistas interpretou a rara mensagem como um sinal de que a cúpula do grupo está perdendo o controle sobre suas tropas na região e a deserção aumenta.

Na mensagem, Baghdadi exorta fiéis ao combate. “Não se retirem, manter posições com honra é mil vezes mais fácil que se retirar com vergonha.” / AFP, EFE e REUTERS

 

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