Battisti faz greve de fome para evitar extradição

Em carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-extremista italiano Cesare Battisti informou que está em greve de fome desde ontem, num gesto de desespero para evitar sua extradição para a Itália, onde foi condenado à prisão perpétua sob a acusação de envolvimento em quatro assassinatos na década de 70.

VANNILDO MENDES, Agencia Estado

14 Novembro 2009 | 16h33

O processo de extradição de Battisti está em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que deve retomar o caso na próxima quarta-feira. Conforme o Estado apurou, o STF deve autorizar a extradição do italiano, mas não tomará nenhuma decisão para obrigar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a entregá-lo para o governo da Itália. Ficaria a cargo de Lula decidir sobre a extradição.

Militante da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), Battisti está preso desde 2007 na penitenciária da Papuda, onde aguarda o julgamento do pedido de extradição, feito pelo governo italiano.

Na carta, Battisti nega os crimes, afirma que não teve direito a um julgamento justo e insiste que se for mandado para a Itália será assassinado. "Sempre lutei pela vida, mas se é para morrer, estou pronto, mas nunca pela mão dos meus carrascos", afirma.

A carta foi endereçada ao Planalto pelo senador José Nery (PSOL-PA), que apoia a libertação de Battisti e o visitou na prisão pouco antes do início da greve de fome. O senador relatou que o ex-ativista sofre de hepatite e está física e emocionalmente muito debilitado. Dulci, ainda segundo Nery, comprometeu-se a entregar a carta antes do embarque de Lula, neste fim de semana, para uma agenda de visitas a países europeus, entre os quais França e Itália. Battisti foi beneficiado com refúgio político, concedido no início deste ano pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, mas o STF, na fase inicial do julgamento, declarou ilegal o ato de concessão do refúgio.

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