BBC diz que grupo preso no Irã não trabalha para a rede

Seis cineastas independentes foram detidos no Irã, informou a BBC nesta segunda-feira, negando as informações da mídia iraniana de que o grupo trabalhava para a rede britânica.

AE, Agência Estado

19 Setembro 2011 | 13h03

A BBC disse em comunicado que o grupo é constituído por "cineastas documentaristas independentes" e que, embora o serviço em farsi da rede tenha comprado os direitos dos filmes produzidos pelo grupo, não encomendou o trabalho.

Os cineastas "não são funcionários da BBC", afirmou a empresa em comunicado.

O governo do Irã informou na manhã desta segunda-feira que deteve cinco homens e uma mulher por reunirem informações para o serviço em farsi da rede BBC, informou o site da televisão estatal. "Esses indivíduos identificados estavam fornecendo informações, filmes e relatórios secretos à BBC em farsi para pintar uma imagem ruim do Irã e dos iranianos", afirma o site.

Segundo uma fonte anônima - que identificou os detidos pelas iniciais M.M.T, M.Z, N.S, H.A, M.Sh e a mulher K.Sh - as prisões ocorreram na noite de sábado.

"Os membros desta célula secreta da BBC em farsi receberam dezenas de milhares de dólares para cada um dos programas que fizeram e dividiram o dinheiro entre si", disse a fonte.

Acusada pelo regime iraniano de estimular o levante ocorrido após a disputada reeleição em 2009 do presidente Mahmoud Ahmadinejad, a rede britânica não tem um escritório para seu serviço em farsi no Irã.

A República Islâmica proíbe qualquer cooperação com redes de rádio e televisão que transmitem em farsi e que não sejam controladas pelo governo, dentre elas a BBC e a Voz da America, que são muito populares no Irã.

Apesar disso, há atualmente mais de 30 canais acessíveis por satélite que transmitem em farsi do exterior.

Embora não haja números oficiais disponíveis sobre a quantidade de iranianos que assistem canais estrangeiros, informações da mídia local indicam que mais de 30% da população do país tem antenas parabólicas, apesar de elas serem ilegais.

Canais via satélite costumam ser criticados pelas autoridades, mas mesmo as operações da polícia com o objetivo de apreender as antenas parabólicas não conseguiram fazer com que elas desaparecessem dos telhados iranianos. Todos os jornalistas empregados por empresas de comunicação estrangeiras devem obter uma credencial do Ministério da Cultura para trabalhar no Irã. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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