BBC prepara reestruturação após polêmica sobre o Iraque

A rede britânica BBC prepara uma reestruturação interna relacionada ao caso do especialista em armas de destruição em massa David Kelly, cujo suicídio, em julho, aprofundou a controvérsia sobre as razões do governo de Tony Blair de ir à guerra contra o Iraque. A reestruturação deve afetar em primeiro lugar as funções do repórter Andrew Gilligan - que, se não for demitido da emissora, deve perder o cargo de analista de defesa. Gilligan foi o autor de uma reportagem que tinha Kelly como fonte e acusava o governo de ter "esquentado" relatórios sobre o perigo que o suposto arsenal proibido iraquiano representava para a Grã-Bretanha. Kelly não foi identificado na reportagem, levada ao ar em maio, mas passou a ser pressionado pelo governo e, antes de suicidar-se, foi convocado a depor no Parlamento em duas ocasiões. Gilligan admitiu em juízo ter "deduzido" alguns aspectos do caso a partir das entrevistas com Kelly, pondo em risco a credibilidade da BBC. De acordo com a edição de hoje do jornal The Guardian, o diretor-geral da corporação BBC, Greg Dyke, planeja mudanças, por exemplo, no manejo das acusações, com o objetivo de evitar possíveis críticas no próximo relatório do juiz Brian Hutton, que investiga a morte do cientista. O secretário de Defesa, Geoff Hoon, reiterou, ante o juiz Hutton, que o governo britânico não conspirou para descobrir o nome da fonte da BBC. Mas admitiu ter aprovado um comunicado que autorizava funcionários da Defesa a confirmar, se algum repórter apontasse o especialista como possível fonte. Grande parte da imprensa britânica considera provável que Hoon tenha de renunciar após o encerramento do inquérito do caso Kelly.

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