BBVA admite ter financiado campanha de Chávez

O ex-presidente do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) Emilio Ybarra admitiu, nesta terça-feira, perante o juiz Baltasar Garzón, ter ordenado a concessão de ajuda financeira à campanha eleitoral do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em 1998.Segundo fontes judiciais, o dinheiro, supostamente procedente de contas secretas que a entidade manteve em paraísos fiscais, teve origem ilícita, suspeita a promotoria anticorrupção. O conselheiro delegado do BBVA, José Ignacio Goirigolzarri, informou por carta a Garzón que, quando ocupava o posto de diretor-geral da Área de Bancos na América do BBV, recebeu um pedido dos dirigentes do partido de Chávez para ajudar a campanha do candidato."Ybarra?, relata Goirigolzarri, ?a quem cabia decidir questões internacionais, me indicou que havia dado instruções à diretoria financeira para que fizesse contatos com os dirigentes locais e desse a contribuição." Garzón investiga o BBV - sigla do banco antes de se associar ao Argentaria, quando passou a ser BBVA - por delitos de apropriação indébita, falsidade ideológica e administração desleal, por manter durante 13 anos contas secretas em paraísos fiscais.Em documento lavrado em 9 de abril, Garzón indicou que o BBV "pagou, ao que tudo indica, contribuições de US$ 525.586, em dezembro de 1998, e de US$ 1 milhão, em julho de 1999, à campanha de Hugo Chávez à presidência da Venezuela".Ao comparecer perante a corte, Ybarra admitiu perante Garzón sua responsabilidade nas gestões irregulares e na criação de contas em paraísos fiscais.

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