BC europeu prevê mais aumento no preço dos alimentos

Os preços globais dos alimentos devemaumentar mais em curto e longo prazo, já que a oferta não deveacompanhar a demanda, segundo análise do Banco Central Europeupreparada para balizar a reunião de ministros de Finanças nasegunda e terça-feira que vem. A nota diz que outros fatores também colaboram com oaumento dos preços, como o protecionismo comercial, aespeculação e a desvalorização do dólar. "Em curto prazo, persistem riscos de alta, particularmenteporque os preços futuros -- usados como pressupostos técnicos-- provaram ser indicadores bem pouco confiáveis dos preçosglobais dos alimentos", disse a nota, obtida pela Reuters. A carestia global já provocou protestos, às vezesviolentos, em vários lugares da África, Ásia e América Latina.Na Europa, mais próspera, a população se queixa em váriospaíses da perda de poder de compra dos salários diante doaumento de produtos como pão, leite e batata. Os ministros dos países ligados ao Banco Central Europeudevem discutir principalmente a inflação, que puxada pelasaltas dos alimentos e do petróleo atinge um recorde de 3,6 porcento nos países que adotam o euro como moeda. "Assumindo uma perspectiva de longo prazo [...], háindicações de que fatores mais estruturais podem ter provocadoreajustes de preços relativos, sugerindo que os preços podempermanecer em níveis elevados e até aumentar mais", disse anota do BCE. Os preços alimentícios subiram 6 por cento entre abril de2007 e abril de 2008. Especialistas dizem que isso ocorre porcausa do aumento da demanda na China e na Índia, do usointensivo de terras para a produção de biocombustíveis, deespeculações nos mercados, de transtornos climáticos e doencarecimento do frete, por causa da alta do petróleo. O texto do BCE diz que o antídoto contra o problema seriaaumentar a produtividade agrícola. "As perspectivas de longo prazo para a oferta de produtosagrícolas são supostamente os fatores mais críticos. Uma reaçãode oferta leva tempo para se dar e, portanto, parece improvávelque acompanhe a crescente demanda global. As perspectivas nãosão promissoras", diz a nota. "Na atual conjuntura, uma forte aceleração da produçãoparece improvável, e a expansão das terras aráveis deve se darapenas gradualmente. Além disso, é claro que há sempre apossibilidade de choques climáticos sobre a produção, que podemse tornar ainda mais freqüentes caso os impactos da mudançaclimática se materializem." (Por Jan Strupczewski)

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