BCE pede que resto do mundo aumente recursos ao FMI

O representante alemão da junta de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE), Joerg Asmussen, disse neste domingo que a Europa "fez a sua parte" para ajudar a proteger a economia mundial contra a turbulência, e afirmou que o resto do mundo precisa prometer mais dinheiro para as linhas de combate à crise do Fundo Monetário Internacional (FMI), uma declaração que poderá colocar a Europa em conflito com outras regiões na reunião do FMI que começará em 20 de abril em Washington.

ANDRÉ LACHINI, Agência Estado

15 de abril de 2012 | 20h08

Asmussen disse que a Europa "fez sua parte" ao ajudar a proteger a economia mundial contra a turbulência financeira. Ele lembrou que os líderes europeus se comprometeram em ampliar as reservas para o resgate na zona do euro ao redor de ? 800 bilhões (US$ 1,1 trilhão) e além em contribuírem com mais ? 150 bilhões (ao redor de US$ 192 bilhões) ao FMI.

"Agora nós poderemos esperar que outros acionistas do FMI venham e façam suas contribuições para aumentar as reservas do FMI", disse Asmussen, ao acrescentar que a decisão deveria ser tomada no encontro anual do FMI, que ocorrerá em Washington entre 20 e 22 de abril, informa o Wall Street Journal.

Asmussen, que foi vice-ministro de Finanças da Alemanha, tornou-se neste ano um dos seis representantes da junta de dirigentes do BCE e é o principal diplomata da instituição para finanças internacionais.

Persuadir outros países do mundo a destinarem mais recursos ao FMI, no momento em que a instituição socorre países da União Europeia que lutam contra suas crises da dívida, será um desafio. Os Estados Unidos e muitos países emergentes têm argumentado, até agora, que a Europa precisa fazer mais para ajudar a si própria. O FMI tem atualmente cerca de US$ 400 bilhões em capacidade de empréstimos e tenta arrecadar mais reservas entre os países membros para aumentar essa capacidade a US$ 500 bilhões.

Asmussen disse que as medidas de austeridade, que no momento são tomadas por vários governos europeus, poderão atingir a economia no curto prazo, mas durante um período mais longo, finanças públicas mais fortes alavancarão a confiança entre empresários e consumidores, o que aumentará a atividade econômica, afirmou.

Sem dizer qual seria a soma necessária para o FMI ficar mais forte e proteger economias ao redor do mundo, Asmussen afirmou que a instituição precisa fazer isso, se necessário, no mundo inteiro, não apenas na Europa. "Alguém precisa perguntar: qual é a alternativa? A alternativa sugerida, de lutar contra o baixo crescimento econômico com mais dívidas, é simplesmente uma ilusão", disse.

Na semana passada, a Espanha enfrentou a crescente desconfiança dos investidores e do mercado a respeito de sua capacidade de financiar sua dívida, o que elevou o yield (taxa de retorno) no bônus de dez anos do governo espanhol para o redor de 6%. Isso levou a especulações de que o BCE terá de intervir novamente para estabilizar os mercados, tanto ao estender empréstimos com juros baixos aos bancos da zona do euro ou então ao reviver seu programa de compra de bônus. Asmussen, visto como um pragmático, não quis responder se o BCE retomará esse programa de compra de bônus. "O programa existe. Nem mais, nem menos", afirmou. As informações são da Dow Jones.

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