Syrian Democratic Forces/Handout via REUTERS
Syrian Democratic Forces/Handout via REUTERS

'Beatles' do Estado Islâmico pedem julgamento justo

Em entrevista à CNN, dupla britânica detida no começo deste ano - famosa por aparecer em vídeos de decapitação ao lado do também britânico Jihadi John - reconhece que algumas das ações do grupo terrorista foram 'deploráveis'

O Estado de S.Paulo

09 Abril 2018 | 15h01

NORTE DA SÍRIA - Dois dos mais procurados combatentes da célula britânica do Estado Islâmico, apelidada de "Beatles", afirmaram em entrevista à emissora americana CNN que algumas das ações do grupo terrorista foram "deploráveis" e pediram que seus direitos sejam respeitados onde quer que eles sejam julgados.

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Alexanda Kotey e El Shafee Elsheikh foram ouvidos pela CNN em uma prisão no norte da síria em uma região controlada pelos curdos com apoio dos Estados Unidos. A dupla ganhou notoriedade por aparecer ao lado de Mohammed Emwazi, conhecido como Jihadi John, em vários vídeos em que ele decapitava reféns do grupo.

A dupla está entre as dezenas de combatentes do EI com dupla nacionalidade que são mantidos presos na região em meio a divergências diplomáticas, com seus países de origem se recusando a autorizar seu retorno para serem julgados e deixando os curdos sírios com a responsabilidade sobre os prisioneiros.

O Departamento de Justiça dos EUA acusa Kotey, de 34 anos, de "ter se engajado nas execuções do grupo e de tortura excepcionalmente cruel" de jornalistas e trabalhadores humanitários do ocidente. Já Elsheikh "fez sua reputação com afogamentos de reféns, simulações de execuções e crucificações".

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"(Para os governos de EUA e Reino Unido) Eu não sou uma pessoa democrática, mas estou sujeito à leis democráticas", disse Elsheikh à CNN.  Sobre o país onde preferia ser julgado, Kotey disse à emissora: "Definitivamente, familiaridade é a opção mais fácil. Minha experiência é que os juízes britânicos são muito mais justos".

Os dois ex-combatentes do EI se referiram mais de uma vez à cenas traumáticas que testemunharam na Síria desde que chegaram na cidade de Alepo, em 2012, e disseram que a violência do governo de Bashar Assad contra os civis sírios foi uma dois coisas que os motivou a lutar junto aos terroristas.

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