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Majdi Mohammed/AP
Majdi Mohammed/AP

Bebê palestino morre em casa incendiada na Cisjordânia

Colonos israelenses extremistas são suspeitos de terem atacado o imóvel em Duma, aldeia perto da cidade de Nablus, de forma intencional; Autoridade Palestina promete levar o caso ao TPI

O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2015 | 09h59

DUMA, CISJORDÂNIA - Extremistas judeus foram apontados como os responsáveis por um incêndio nesta sexta-feira, 31, de uma casa palestina na Cisjordânia ocupada por Israel, matando uma criança de 18 meses e ferindo gravemente três outros membros da família, em um ato que o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, descreveu como terrorismo.

Os extremistas quebraram as janelas da casa em Duma, uma aldeia perto da cidade de Nablus, e jogaram bombas incendiárias, pouco antes do amanhecer, quando a família dormia, afirmaram militares israelenses e testemunhas. Do lado de fora havia pichações em hebraico com a palavra "vingança".

Os pais do bebê e o outro filho do casal, de 4 anos, ficaram gravemente feridos e foram levados de helicóptero para tratamento em um hospital israelense, disseram autoridades. Algumas das vítimas sofrem queimaduras em mais de 70% do corpo e estão em estado de extrema gravidade. Uma segunda casa na aldeia também foi incendiada, mas não havia ninguém no local.

Esse seria o pior ataque de extremistas israelenses desde que um adolescente palestino foi queimado vivo em Jerusalém um ano atrás, depois do sequestro e assassinato de três adolescentes israelenses por militantes palestinos na Cisjordânia.

O Exército israelense reforçou a presença de suas tropas na área para iniciar uma varredura em busca dos suspeitos, descritos por um porta-voz como "dois terroristas mascarados", e impedir qualquer escalada da violência. O grupo islâmico palestino Hamas pediu vingança.

O premiê Netanyahu disse que ficou chocado e prometeu que "todos os meios" serão empregados para levar os agressores à justiça. "Este é um ataque terrorista. Israel toma medidas firmes contra o terrorismo, não importa quem sejam seus autores", disse.

Um porta-voz do presidente palestino, Mahmoud Abbas, responsabilizou Israel. "Esse crime não teria ocorrido se o governo israelense não insistisse em incentivar os assentamentos e proteger os colonos", disse Nabil Abu Rdainah.

TPI. A Autoridade Palestina anunciou que levará o caso ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, na Holanda. "Este caso será levado ao tribunal. A equipe jurídica palestina se reuniu com urgência nesta manhã para ver que medidas tomar em tribunais internacionais", afirmou uma fonte.

Segundo esta autoridade palestina, o ataque "pode se enquadrar em mais de uma categoria dos crimes que o tribunal estuda. Se for confirmado que está relacionado com a impunidade garantida pelo Estado israelense aos colonos, pode ser considerado um crime de guerra ou também contra a humanidade". "Todos os antecedentes do caso e os resultados da investigação serão entregues ao TPI."

Xavier Abu Eid, porta-voz da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), afirmou que "os palestinos precisam de justiça".

"Esses ataques ocorrem em razão da impunidade que Israel garante aos colonos. Eles são responsáveis pelo que ocorre. Se esses colonos estão aí, é por uma decisão política de Israel. Estão protegidos por Israel, que agora não pode se surpreender com os crimes cometidos por uma cultura de ódio que eles mesmos implantaram", acusou. / REUTERS, AFP e EFE

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