Beilin pede que UE aceite plano de Zapatero para paz

O impulsor, do lado israelense, dos Acordos de Oslo e da Iniciativa de Genebra, Yossi Beilin, pediu à União Européia (UE) que aceite o plano de paz proposto pelo primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, informou neste sábado a rádio pública israelense. Beilin, que agora é deputado e chefe da coalizão pacifista Meretz-Yachad, insiste, sobretudo, no apoio da UE ao envio de tropas à Faixa de Gaza, um dos elementos do plano de Zapatero. O chefe do governo espanhol apresentará sua iniciativa, que conta com o apoio de França e Itália, no próximo encontro dos chefes de Estado e governo do bloco, que acontecerá em dezembro, em Bruxelas. A iniciativa propõe o fim imediato da violência, a formação de um governo palestino de união nacional, uma troca de prisioneiros e o posicionamento de uma força internacional em Gaza. Há três dias, Beilin declarou, em encontro com jornalistas, que a proposta de Zapatero é "muito importante", uma vez que defende um cessar-fogo e o envio de uma força internacional a Gaza. "Sem um cessar-fogo já, não é possível avançar", disse. Na quinta-feira, as principais facções palestinas - o Hamas, o Fatah e a Jihad Islâmica - decidiram suspender o lançamento de foguetes contra território israelense e selar um cessar-fogo com Israel, se suas operações em Gaza forem suspensas. A porta-voz do governo israelense, Miri Eisin, respondeu à iniciativa dizendo que Israel suspenderá suas operações quando os milicianos palestinos entreguem suas armas. Porém, o primeiro-ministro palestino e líder do Hamas, Ismail Haniyeh, frisou que o primeiro passo deve ser dado por Israel, já que não se pode dizer que "os palestinos têm um Exército, com um enorme arsenal, mísseis, foguetes". Segundo Beilin, o fim das hostilidades entre as partes em conflito "será mais forte se apoiado por forças internacionais". O político israelense elaborou uma nova proposta para o processo de paz, a qual também parte de uma declaração de cessar-fogo. Seu plano prevê a retirada de Israel de 80% a 90% do território da Cisjordânia - em coordenação com a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e antes de 2008 -, assim como a abertura de negociações para o alcance de uma solução definitiva para o conflito num prazo de dois anos. Até a declaração formal de um Estado palestino independente e soberano, Beilin defende várias opções, que vão desde um Estado palestino interino e desmilitarizado reconhecido por Israel, até um reconhecimento provisório de fronteiras sujeito a modificações nos acordos finais entre as partes. A iniciativa deixa para a última fase os assuntos mais espinhosos, como a questão dos refugiados, o status de Jerusalém, a fixação dos limites territoriais e o reconhecimento de Israel como Estado por parte do mundo árabe.

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