Beira-Mar deve chegar ao Brasil amanhã

O traficante Fernandinho Beira-Mar, preso na Colômbia este fim de semana, deve chegar até amanhã ao Brasil. O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, que participou da 3ª Cúpula das Américas, no Canadá, disse hoje que o governo brasileiro está em contato permanente com as autoridades colombianas e que as negociações, comandadas pelo ministro da Justiça, José Gregori, deveriam levar à deportação do traficante em cerca de 24 horas, contadas a partir de hoje. "Já existe um entendimento bilateral de que a Colômbia mandará Beira-Mar para o Brasil", afirmou o ministro Lafer.O ministro Gregori enviou nesta madrugada ao governo da Colômbia um pedido de extradição do traficante. Oficialmente, o governo brasileiro, que tem interesse na expulsão, somente pode pedir a extradição de Beira-Mar, uma vez que a deportação ou expulsão cabe apenas ao país onde o deportado se encontra. Um processo de extradição, porém, pode durar até três meses, ao contrário da expulsão, que pode ser imediata. Neste caso, basta ao governo colombiano decretar que o traficante é "persona non grata" e que está em situação irregular no país. Para garantir a volta do traficante ao Brasil, caso seja confirmada a expulsão, foram enviados hoje à Colômbia dois delegados e quatro agentes da Polícia Federal. De acordo com o ministro Lafer, um pedido formal de extradição levaria tempo, pois seria necessária a autorização do Judiciário dos dois países, já que Brasil e Colômbia não têm formalizado um acordo de extradição.O presidente Fernando Henrique Cardoso fez questão de anunciar pessoalmente a prisão do traficante durante entrevista coletiva com a imprensa brasileira em Quebec. O presidente da Colômbia Andrés Pastrana também participou do anúncio. Os dois presidentes ressaltaram a intensa colaboração entre os dois governos que viabilizou a prisão do traficante. FHC havia sido informado no sábado de manhã da prisão de Beira-Mar, o que considerou uma excelente notícia. "A prisão vai permitir que se descubram as ligações dele com o narcotráfico, pois não se trata de um traficante de menor expressão", disse o presidente ontem. A entrevista coletiva do presidente, que estava marcada para o fim da tarde, foi adiada por uma hora para que os dois presidentes pudessem fazer o anúncio da prisão de Beira-Mar.

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