Beira-Mar levava uísque escocês para a guerrilha

A teoria de que os guerrilheiros vivem uma vida espartana e cheia de agruras no meio da selva não se adapta ao "Negro Acácio", o comandante da Frente 16 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que desfrutava o sabor do melhor uísque escocês, trazido do Brasil. Durante a "Operação Gato Preto", lançada em 1º de fevereiro contra as Farc e narcotraficantes brasileiros, as autoridades militares encontraram grande quantidade de documentos, entre eles uma lista de bebidas para o "Negro Acácio".A lista inclui lotes trimestrais de 60 garrafas do sofisticado uísque escocês Johnny Walker, rótulo azul, e outras 60 garrafas do ainda mais exclusivo Chivas, de 1921. Fernandinho Beira-Mar, considerado um dos mais importantes narcotraficantes brasileiros e estreito aliado das Farc nos negócios de tráfico de drogas, era o encarregado de trazer as bebidas para o comandante do grupo guerrilheiro.O gosto refinado do "Negro Acacio" exigia, além disso, a entrega de água mineral engarrafada e frutas enlatadas, segundo um informe do comando do Exército. O setor chefiado pelo comandante opera na zona do Guainía, na bacia amazônica, na zona fronteiriça entre Colômbia, Venezuela e Brasil. Através de Brasil e Venezuela a guerrilha recebia armas, uniformes militares e equipamentos de comunicação, e pelos dois países escoava a produção de cocaína, segundo informou o general Jorge Mora, comandante do Exército.

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