Belfast tem terceiro dia seguido de violência

A cidade de Belfast viveu hoje o terceiro dia consecutivo de violência, ao mesmo tempo que os diálogos políticos para salvar o Acordo de Sexta-Feira Santa e garantir um futuro ao processo de paz na Irlanda do Norte.Hoje, seis agentes da RUC - polícia norte-irlandesa - foram atacados e feridos com pedras e garrafas por um grupo de cerca de cem manifestantes em um bairro ao sul de Belfast. Somando-se ao balanço de hoje os 24 policiais feridos ontem à noite e os 39 feridos na noite de quarta-feira, o total sobe para 69.Além da polícia de choque, também soldados do exército patrulham as ruas de Belfast, onde a tensão é alta. Hoje, o governo britânico enviou à Irlanda do Norte 1.600 soldados, em prevenção aos desfiles previstos para o próximo mês.O chefe da RUC, Ronnie Flanagan, declarou hoje que os manifestantes atacaram os policiais com a intenção de matá-los. Na noite passada, pela primeira vez, os manifestantes dispararam contra os policiais da RUC: dez tiros que não atingiram o alvo.No campo político, nenhum progresso foi atingido hoje em reuniões entre políticos norte-irlandeses e representantes do governo britânico e da República da Irlanda. Ao término das conversações, realizadas em Londres, o líder unionista David Trimble declarou que não há progresso e que dificilmente os republicanos cedam às pressões para o desarmamento do IRA.Além da entrega de armas por parte do IRA, estão sobre a mesa de negociações a formação da RUC, um redimensionamento das bases militares e possíveis sanções contra o Sinn Fein, o braço político do IRA. Todos estes temas ameaçam o futuro do próprio parlamento conjunto norte-irlandês.

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