Bélgica bate recorde mundial de tempo sem governo

População 'comemora' marca com batatas fritas e cerveja no centro da capital

Agência Estado

17 de fevereiro de 2011 | 10h35

Estudantes fazem protesto simbólico pelos 249 dias sem governo.

 

BRUXELAS - Para muitos seria humilhante, mas alguns na Bélgica veem como um pretexto para comemorar: o país completou 249 dias sem governo nesta quinta-feira, 17, um dado apontado pelos próprios belgas como um recorde mundial.

 

Dia após dia, a crise atinge os líderes de 6 milhões de moradores de Flandres, que falam holandês, e dos 4,5 milhões de habitantes da Valônia, falantes de francês. Os habitantes de todo o país, porém, deixaram de lado as diferenças para celebrar a ocasião.

 

Em Ghent, 249 pessoas planejam tirar suas roupas, uma para cada dia sem governo, como parte de uma festa que deve reunir milhares de pessoas. Haverá batatas fritas, um dos pratos tradicionais na Bélgica, em Leuven, e muita cerveja belga em Louvain-La-Neuve.

 

"Enfim campeões mundiais", afirmou em sua manchete o geralmente formal jornal De Standaard. "Claro que é grave que não tenhamos governo federal", afirmou Kris Peeters, ministro presidente da região de Flandres, em entrevista. "Mas, por outro lado, aprecio muito o humor em certas ações".

 

É discutível se 249 dias é na verdade um recorde. O Iraque levou 249 dias para formar um governo no ano passado, mas a aprovação desse governo levou outros 40 dias. Ainda assim, no ritmo em que estão as coisas, a Bélgica não terá muitos problemas para chegar ao topo, independentemente da medida usada.

 

Após as eleições gerais de 13 de junho do ano passado, os principais partidos da Bélgica iniciaram as negociações para impulsionar a maior reforma constitucional em décadas, a fim de agradar os dois grupos linguísticos. Mas como seus interesses com frequência são diametralmente opostos, o diálogo emperra constantemente.

 

O rei Albert nomeou e aceitou a renúncia de um mediador após outro, com os partidos se recusando a ceder. É um processo que continua até hoje, e o prognóstico de êxito para o atual negociador, o ministro de Finanças interino Didier Reynders, é pouco alentador. Pode haver novas eleições para tentar se sair do impasse.

 

No cerne do conflito político está a intenção de se escrever uma nova Constituição, que dê maior autonomia regional. Flandres, mais próspera, quer o máximo de autonomia possível, já a Valônia quer garantir a unidade nacional e mais solidariedade financeira. Apesar da discórdia, a Bélgica segue como uma das nações mais ricas do mundo. As informações são da Associated Press.

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