Bélgica terá primeiro ministro liberal-socialista

O resultado das eleições legislativas deste domingo na Bélgica indicam dois favoritos para o posto do próximo primeiro-ministro, o atual Guy Verhofstadt e o socialista Steve Stevaert, que deverão sair da formação de uma coalizão liberal-socialista. A extrema direita flamenga, conhecida como Vlaams Blok, também chamou atenção na apuração do escrutínio, registrando progressão de votos em relação a última eleição de 1999. Eles obtiveram 2,69% de votos a mais e deverão dispor de 18 a 19 deputados dentro da nova Câmara, contra os 15 atuais.O próximo chefe de governo virá de uma das duas vertentes, o VLD de Verhofstadt ou o SP.A de Stevaerts, confirmando assim mais um dirigente de idioma flamengo - dialeto do holandês no posto, o que acontece há 30 anos.O incontestável vitorioso desta eleição legislativa foi o partido socialista flamengo, que obteve 9,5% a mais de votos, ganhando mais do que havia perdido na eleição de 1999. Porém, o partido do atual primeiro ministro Guy Verhofstadt (VLD) também ganhou não somente em número de votos, como em cadeiras na câmara de representação. Até o momento, os liberais flamengos estão com uma cadeira a mais (24) na Câmara que o partido de Stevaerts (23).Conhecido como "baby Thatcher", Verhofstadt temperar um discurso ultra-liberal com pronunciamentos que não atiçam as tensões regionais entre o norte (flamengo) e o sul (francofônico). É presidente do partido liberal flamengo há 28 anos e deputado há 32. Esteve afastado dos holofotes, depois de ocupar o cargo de vice-primeiro ministro em 1985 pela coalizão social-cristã de Wilfried Martens. Quando retornou em 1997 foi para conquistar, dois anos depois, o cargo de primeiro ministro. Recebeu-o de eleitores belgas cansados dos escândalos de pedofilia e do frango contaminado pela dioxina.Já Stevaerta é o chefe do partido socialista flamengo (SPA) e um dos homens de esquerda mais populares da região dos Flandres. Entretanto, é praticamente um desconhecido na região sul, a Wallonie, e entre os francofônicos de Bruxelas. Seu pouco conhecimento do francês poderá ser considerado pelos deputados como uma falha grave para quem vai dirigir o governo federal de um país "extretamente sensível" às questões linguísticas.

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