Jim Cole/AP
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Carson tem dificuldade para entender questões de política externa, diz conselheiro

Pré-candidato republicano à Casa Branca que lidera pesquisas de intenção de votos tem reuniões semanais com conselheiros para tentar dominar complexidades do Oriente Médio e da segurança nacional

O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2015 | 16h27

WASHINGTON - Os recentes discursos de Ben Carson sobre política externa levantaram dúvidas quanto a sua compreensão do assunto, especialmente depois de na semana passada o neurocirurgião, que lidera as pesquisas de intenção de voto entre os pré-candidatos à presidência do Partido Republicano, afirmar em uma emissora de TV que a China fez intervenções militares na Síria, mas falhou.

Diante do crescente questionamento sobre a capacidade de Carson conduzir a política externa americana, dois de seus principais assessores disseram em entrevistas que ele tem se esforçado para dominar as complexidades do Oriente Médio e da segurança nacional, mas que as intensas aulas estão tendo pouco efeito.

"Ninguém foi capaz de sentar-se com ele e obter um pingo de informação inteligente sobre o Oriente Médio", disse Duane R. Clarridge, um dos principais assessores de Carson sobre terrorismo e segurança nacional.

Clarridge, um ex-agente da CIA de 83 anos, comanda hoje uma rede privada de inteligência que, segundo ele, é composta por especialistas em países como Irã, China e Síria, além de outras nações no Oriente Médio, que aconselham Carson por telefone ou por sessões em vídeo através do Skype. "Precisamos fazer conferências uma vez por semana com essas pessoas sobre os assuntos que eles avaliam que terão mais destaque no período para torná-lo mais esperto", disse Clarridge.

Concorrência. Enquanto candidatos como Jeb Bush, por exemplo, podem ligar para dezenas de especialistas em política externa que trabalharam nas administrações de seu pai e de seu irmão, Carson tem até o momento apenas um conselheiro nessa área: Robert F. Dees, um ex-general do Exército que hoje faz parte do quadro de funcionários da Liberty University, na Virginia. 

Membros da campanha do neurocirurgião dizem, no entanto, que ele também está en contato com funcionário dessa área das antigas administrações, incluindo ex-secretários de Estado. 

Um desses funcionários, o ex-diretor da CIA Michael V. Hayden disse à rede MSNBC na semana passada que teve uma conversa com Carson cerca de dois meses atrás. "Foi uma conversa longa por telefone, de cerca de duas horas. Posso dizer que os instintos dele estão corretos, mas essa é uma área na qual com a qual ele está pouco familiarizado".

Ao contrário do comentário feito por Clarridge, o ex-general Robert F. Dees afirmou que Carson tem um "intelecto impressionante e tem o que é necessário para comandar o país". Dee disse também que se encontrou pelo menos duas vezes que o republicano para conversar sobre a política ao redor do mundo. Ele também forneceu ao neurocirurgião atualizações sobre segurança nacional com base em material reunido por um grupo de ex-funcionário do Exército, líderes comerciais e "pessoas que ocuparam cargos como embaixadores". / NYT

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