Benazir morreu após ser baleada na cabeça, diz assessora

Declaração vai contra a versão do governo de que a ex-premiê morreu após bater a cabeça em um carro

Agências internacionais,

29 de dezembro de 2007 | 10h11

A líder oposicionista paquistanesa Benazir Bhutto, assassinada na quinta-feira, foi baleada na cabeça, disse neste sábado, 29, uma assessora que preparou o corpo de Bhutto para o funeral. A declaração vai contra uma teoria do governo de que a líder da oposição teria morrido após bater a cabeça no teto solar de um carro durante um ataque suicida.   Veja também: Filha de dinastia, Benazir era figura polêmica Análise: Paquistão em mares desconhecidos Imagens Cronologia: A trajetória de Benazir Vídeo e análise com Roberto Godoy Blog do Guterman: Guerra civil à vista    Sherry Rehman, uma porta-voz do Partido do Povo do Paquistão, estava no carro que ficava atrás do veículo que transportava a ex-primeira-ministra durante um comício eleitoral, quando um suicida atirou em Bhutto e depois se explodiu.   Autoridades de segurança disseram logo após o assassinato da quinta-feira que Bhutto foi atingida no pescoço e na cabeça. Já na sexta-feira o governo disse que a morte aconteceu depois de a líder da oposição bater a cabeça no teto solar do carro por causa da força da explosão.   "Ela tinha um ferimento a bala na parte de trás da cabeça, do lado esquerdo. Foi um ferimento grande e ela sangrou muito por ali", disse Rehman, que se feriu na perna após ser lançada para fora do carro em que estava pela explosão.   "Ela ainda estava sangrando quando demos uma banho nela para o funeral", acrescentou. "O governo está tentando agora dizer que ela se machucou sozinha, o que é ridículo."   A assessora disse que o governo paquistanês negou a Bhutto as medidas de segurança pedidas pela líder oposicionista. "É triste, mas parece uma tentativa ou de acobertar ou de absolvê-los da responsabilidade, ou ambos", disse.   Autor   Também neste sábado, militantes islâmicos negaram envolvimento na morte DDA ex-premiê, descartando as alegações do governo de que as forças pró-Taleban no Paquistão teriam organizado o ataque suicida à líder oposicionista.   Um porta-voz do militante paquistanês ligado à Al Qaeda Baitullah Mehsud divulgou que Mehsud não teve relação com o assassinato. "Eu nego isso enfaticamente. O povo tribal tem seus próprios costumes. Não atacamos mulheres", disse.   Aliados de Bhutto também afirmaram duvidar que o líder taleban esteja por trás do ataque, e acusaram o governo de esconder informações.   A discussão, junto com os conflitos em torno da exata causa da morte, devem aumentar a onda de violência que tomou conta do país após o assassinato de Bhutto.   Com os aliados de Bhutto protestando violentamente ao redor do país, a comissão eleitoral do Paquistão convocou uma reunião de emergência para a próxima segunda-feira para discutir o impacto do assassinato nas próximas eleições parlamentares.   O Partido Popular do Paquistão, que era presidido pela ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, também marcou um encontro para este domingo, que pretende decidir sua participação, ou não, no pleito. O marido da ex-premiê afirmou que seu filho lerá uma mensagem deixada por Bhutto para ser lida ao partido caso ela morresse.   Protestos   Milhares de simpatizantes do PPP enfrentaram neste sábado as forças de segurança em Rawalpindi, cidade onde a líder opositora foi assassinada.   Os manifestantes iniciaram uma marcha rumo à residência do ex-ministro de Ferrovias paquistanês Sheikh Rashid Ahmad e enfrentaram com os agentes da ordem, que lançaram gás lacrimogêneo, informou o canal de televisão Dawn.   Em Karachi, um homem de 27 anos usando uma túnica feita com a bandeira do Partido do Povo Paquistanês (PPP) foi morto por atiradores. Ele havia gritado "Bhutto é incrível" enquanto retornava do mausoléu onde a líder oposicionista foi enterrada na sexta-feira, segundo a polícia.   A morte eleva para 33 o número de mortos na onda de violência. O governo mobilizou os "rangers" (paramilitares) para manter a ordem em dez cidades da província nordeste de Punjab, entre elas Rawalpindi.   A estrada que liga Rawalpindi à vizinha Islamabad registrou hoje novos episódios de violência, como a queima de pneus e destruição de veículos por manifestantes do PPP, disse à Efe uma testemunha.

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