Benazir propõe pacto com Musharraf para governar Paquistão

Ex-primeira-ministra propõe permanencia do presidente para poder fortalecer luta contra terrorismo

Agência Estado e Associated Press,

22 de agosto de 2007 | 20h47

A ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto detalhou pela primeira vez um plano para manter o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, no cargo por meio de um acordo de divisão de poder que, segundo ela, fortaleceria a luta do país contra o terrorismo. Musharraf tenta reeleger-se para outro mandato de cinco anos, mas enfrenta forte pressão para deixar o cargo de chefe do Exército e restaurar a democracia no Paquistão, oito anos após chegar ao poder em um golpe militar. Em declarações à rede de TV americana PBS, Benazir descreveu um acordo que reduziria o poder de Musharraf e lhe permitiria voltar do exílio, e talvez ao governo. "Não estamos tentando socorrer uma ditadura militar ao dizer que aceitaremos suas condições. O que estamos buscando é um acordo que possa ajudar a criar uma ordem civil, democrática e estável", disse Benazir durante a entrevista. "Estamos negociando certas mudanças que darão mais poder ao Parlamento para combater os militantes", acrescentou. Um acordo com Benazir oferece a Musharraf a oportunidade de afastar os desafios a seu governo contínuo e cumprir a promessa de combater a Al-Qaeda e o Taleban, algo visto com crescente ceticismo por Washington e outros países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que têm soldados no Afeganistão. Entretanto, Musharraf não deu nenhuma indicação de que fará as concessões exigidas por Benazir, entre elas a de deixar o posto de chefe do Exército. Benazir disse que Musharraf tem de acabar com a proibição de que primeiros-ministros que já cumpriram dois mandatos possam voltar ao governo, como é o caso dela e do ex-premiê Nawaz Sharif, também no exílio. Benazir disse que as acusações de corrupção contra ela e outros ex-funcionários devem ser retiradas. Tanto Benazir como Sharif prometeram voltar ao Paquistão este ano, causando mais tensão política. Benazir responsabilizou o governo liderado por militares pela disseminação do extremismo no Paquistão, mas evitou criticar Musharraf diretamente.  Às vésperas de uma nova audiência do Supremo sobre o pedido de Sharif para poder voltar ao Paquistão, advogados do governo entregaram hoje ao tribunal uma cópia do que eles disseram ser um documento assinado em 2003 pelo ex-premiê garantindo que ficaria longe do Paquistão por dez anos. Em troca, o governo o livraria de uma pena de prisão e permitiria que partisse para o exílio na Arábia Saudita. O governo nega ter forçado Sharif a ir para o exílio e diz que se ele voltar, será tratado "segundo a lei". Sharif nega ter feito qualquer acordo.

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