Benghazi não afeta futuro de Hillary

* Cenário: Jim Cotrill / NYT

Jim Cotrill,

02 de fevereiro de 2013 | 02h04

É possível que Hillary Clinton decida não disputar a presidência em 2016, mas não há razões para acreditar que uma decisão nesse sentido seja resultado da maneira como ela administrou a questão dos ataques contra a Embaixada dos EUA em Benghazi. Pesquisa do Wall Street Journal diz que Hillary deixa o posto de secretária de Estado com aprovação surpreendente, de 69%. Ou seja, 20% superior acima da aprovação média do presidente Barack Obama, este mês, segundo o Real Clear Politics, e quase 50% maior do que a do Congresso, instituição "menos popular que as baratas, os congestionamentos e até a banda Nickelback", segundo uma pesquisa da Public Policy Polling.

Evidências históricas sugerem que os americanos não costumam punir seus líderes por não terem previsto e impedido ataques contra seus cidadãos. A tendência está mais para a unidade nacional, como visto nos ataques a Pearl Harbor e os atentados de 11 de setembro de 2001. Ronald Reagan teve uma vitória esmagadora em 1984, um ano apenas depois de o quartel dos fuzileiros navais em Beirute ser bombardeado, com a morte de 241 soldados americanos. George W. Bush reelegeu-se com tranquilidade apesar de não ter previsto nem impedido os ataques de 11 de Setembro - e lembre-se que ele havia recebido um relatório em 6 de agosto com o título Bin Laden determinado a atacar os Estados Unidos.

Embora "jogar a culpa no outro" seja o esporte favorito dos políticos americanos, a sociedade nunca demonstrou entusiasmo por ele. A resposta de Hillary no caso de Benghazi é mais um fator que a favorece. Hillary enfaticamente afirmou que o Departamento de Estado estava fazendo tudo para resolver os problemas e encontrar os responsáveis pelos ataques. Não se esquivou, admitiu sua responsabilidade por erros. E, mais importante, não procurou encobrir os fatos.

O legado de um líder raramente depende de um único evento, independente do quão importante ele pode parecer na ocasião. A confiança na liderança de Hillary à frente do Departamento de Estado reflete uma avaliação dos sucessos registrados durante seu mandato, com a propagação da democracia no Norte da África durante a Primavera Árabe e o restabelecimento, no geral, do prestígio americano no exterior.

No entanto, talvez a prova mais forte de que o incidente de Benghazi não prejudicará o legado de Hillary foi a reeleição do presidente Obama. Se Benghazi não foi suficiente para impedir a reeleição, apesar das repetidas tentativas dos republicanos, é difícil imaginar que o incidente poderá impedir Hillary de disputar a presidência em 2016, se ela assim o decidir. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

* É PROFESSOR DE CIÊNCIAS POLÍTICAS NA UNIVERSIDADE DE SANTA CLARA

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